Opinião
Uma paix�o mais que nacional, ser�?
A Copa do Mundo está aí, trazendo consigo a expectativa da seleção brasileira de ser campeã e trazer mais uma taça e sair do título de penta para hexacampeão, mas enquanto isso toda uma nação deste país continente se une, vibra e torce para que as redes adversárias balancem e que balancem muito. É apenas nesta época que o Brasil para. De Norte a Sul, todos os brasileiros são técnicos e se unem para gritar na frente dos televisores, reclamando contra os passes errados e na esperança de tentar orientar os jogadores a fazerem muitos gols contra as seleções adversárias. E numa eclosão que ultrapassa além- mares, num grito de gol. Posso até dizer que esse período é um tempo de festividade mais que sagrado, mais até que os próprios feriados religiosos, que passaram de santos para profanos. Sendo a copa até venerada, sem nos esquecermos dos grandes lucros que as cervejarias, restaurantes e bares têm, pois um joginho pede uma cervejinha e um churrasquinho, esses elementos numa Copa do Mundo são quase que irresistíveis. Os brasileiros vestem verde e amarelo. Numa única camisa o verdadeiro sentido de patriotismo, bem a gosto dos ditadores ?instalar o sentimento de nacionalidade, para que eles esqueçam que estão sofrendo?. Por que não vestir também a camisa contra a corrupção? Contra a violência? Ou melhor, vestir a camisa para conscientizar a população a fazer a escolha certa em outubro, neste ano eleitoral? Sim, só com a conscientização e, ou melhor, a escolha certa dos nossos representantes é que acabaremos com algumas mazelas ainda existentes em nosso país, pois não adianta vibrar e torcer para que o Brasil seja campeão enquanto a maior parcela da população continua sofrendo. Os jogadores recebem milhões, os times rios de dinheiro, enquanto a maioria da população nem um salário mínimo tem para manter a dignidade, fortalecendo assim a desigualdade social, que em pleno século 21 ainda é latente. Mas uma coisa é fato, mesmo na pindaíba, o brasileiro esquece que está passando necessidades, e adentra no espírito futebolístico, claro que tudo isso se deve as grandes e milionárias campanhas publicitárias, que são produzidas para o consumo desenfreado, resumindo, a lógica do mundo capitalista. Vamos torcer e vibrar a cada gol feito pelos nossos jogadores, mas também aproveitemos para nos unir e não deixar que as nossas escolhas nos tragam sofrimento, com a certeza que daqui a quatro anos possamos vibrar e torcer, mas desta vez com um Brasil totalmente mudado, ou melhor, com um Brasil de ?primeiro mundo?. Pode até ser uma utopia de minha parte, mas se não sonharmos nem adianta viver. (*) É estudante de Jornalismo e poeta popular de Alagoas - [email protected].