Opinião
A paz e as bombas
Com a aprovação da quarta rodada de sanções contra o Irã decidida pelo Conselho de Segurança da ONU, o tema nuclear ganha ainda mais força na mídia. Mas, apesar de toda a polêmica e da decisão tomada, o mundo ainda não pode dormir tranquilo. O problema das armas nucleares está muito longe de ter alguma proposta de solução razoável colocada na pauta. Apesar da justeza da preocupação do Conselho de Segurança da ONU para com a possibilidade do regime dos aiatolás possuir armamento atômico, parece permear uma perigosa despreocupação nesse mesmo fórum internacional acerca do impressionante arsenal nuclear existente no resto do mundo. Sobre essas reservas letais a Organização das Nações Unidas adota uma inexplicável tolerância, apesar das declarações formais em contrário. Segundo a mídia especializada, uma dúzia de países possui armas atômicas, somando nada mais nada menos que 23 mil ogivas. O problema ocupa posição destacada na agenda de discursos do presidente Barack Obama, presidente da pioneira potência nuclear. O presidente americano, por própria iniciativa, tem turbinado os entendimentos com a segunda da lista, a Rússia, para a redução deste estoque mortal. E, em abril deste ano, na histórica cidade de Praga (República Tcheca), pôs sua assinatura ao lado da rubrica do presidente russo, Dimitri Medyedev, num novo acordo redutor para os arsenais atômicos das duas potências. Tratado para Redução de Armas Estratégicas (cuja sigla em inglês é start) é o nome do acerto que deveria entusiasmar o mundo, mas, em função da insignificância das reduções prometidas em relação à magnificência dos arsenais acumulados por Washington e Moscou, pouco foi reduzido do medo em quem se preocupa com essa questão. Lutar para que o Irã não venha a engrossar essa lista de armados nucleares é muito importante. Mas, e os outros?