Opinião
Nossa vit�ria final
No dia 1º de setembro de 1939, a Alemanha sob o comando de Adolf Hitler inicia a invasão da Polônia, às 04h45m, ordenando o disparo de tiros dos canhões do encouraçado alemão Schleswig-Holstein, atingindo um pequeno posto militar polonês que abrigava arsenal da Marinha polonesa, na península Westerplatte, em Gdansk. 70 anos depois, no dia 1º de setembro de 2009, exatamente na mesma hora e local, bandeiras polonesas vermelhas e brancas tremulavam enquanto as autoridades deram início à cerimônia às 4h45 (23h45 em Brasília), colocando coroas de flores nos pés de um monumento aos defensores de Westerplatte. Presidentes e ministros da Europa, em especial, os chefes de Estado da Alemanha e Polônia celebravam o fato histórico. Vencidos e vencedores relembraram o episódio como forma de alertar ao mundo sobre a ignorância de se fazer uma guerra. A história não estava sendo revisada, recontada ou distorcida, eles queriam somente registrar o fato para que as novas gerações não cometessem os erros do passado. Mas, e no Brasil? O que se comemora no Brasil? Um País que participou heroicamente desse episódio com a Força Expedicionária Brasileira (FEB), empenhando mais de dez mil homens, que presenciaram a mudança na configuração mundial, deixando claro que somos um País democrático, livre e soberano. Será que nós brasileiros reverenciamos nossos heróis à altura de seus méritos? Será que a sociedade brasileira tem ciência do que seja um holocausto e das vidas que pereceram pelos campos gelados da Itália lutando e derrotando o nazismo? E quando falamos de 2ª Guerra Mundial, para os alagoanos ela começou antes mesmo da FEB partir para Europa. Em 18 de maio de 1943, o submarino Alemão U-128 tentou penetrar em comboio marítimo escoltado por navios brasileiros e foi sumariamente destruído, restando 51 sobreviventes que foram aprisionados em nossas praias para contar a história. Poderíamos escrever páginas e mais páginas dos feitos dos nossos pracinhas, mas tenho a certeza que de nada adiantaria se não fizermos por estes heróis o que muitos deles foram capazes de fazer pela democracia no mundo. Resta-nos doar um pouco do nosso tempo para comemorar todas as vitórias, mas especialmente, para os países democráticos, o Dia da Vitória, ocorrido em 8 de maio de 1945. Certa feita alguém importante afirmou que o Brasil não tinha heróis, que era preciso criá-los, como se fosse simples assim. Na verdade falta cultuá-los, pois eles existem e são muitos. Creio que não sabemos comemorar ou temos vergonha de fazê-lo, mas ainda é tempo de resgatar o amor e orgulho pelos nossos heróis, é hora de resgatarmos a nossa história, de ter orgulho do nosso passado. Podemos ao menos, lembrar às nossas autoridades Federais, estaduais e municipais, que é obrigação deles zelarem para que estes heróis tenham uma vida digna, de tal sorte, que quando partirem para outro plano, possam levar consigo as melhores lembranças do reconhecimento e agradecimento do povo brasileiro, pela dedicação integral a serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições, defenderam com o sacrifício da própria vida! (*) É comandante do 59º BIMtz.