Opinião
Vale a pena ver de novo
Beirando os 70 anos, ao tentar renovar a minha CNH, descobri o quanto deficiente estava a minha visão. O diagnóstico foi imediato: catarata nos dois olhos. É incrível como o nosso cérebro vai se adaptando às limitações físicas do corpo. Com o passar dos anos a gente vai se acostumando à visão cada vez menos nítida do mundo. As cores, a luminosidade, os contrastes vão desaparecendo e, de repente, não se consegue mais observar a beleza da gota de orvalho na flor. Enxerga-se cada vez menos os detalhes, e o nosso cérebro vai processando como se tudo isso normal fosse. É certo que, com a maturidade, o conjunto da obra passa a ser mais importante do que as suas particularidades. É de Gilberto Gil a afirmação: com a velhice, o corpo vai ficando solidário com a mentalidade. Mas isso não quer dizer que viver mais, é viver mal. A longevidade é uma dádiva divina que deve e pode ser bem aproveitada. E é aí que entra a verdadeira, a autêntica prática da Medicina: dar qualidade de vida às pessoas. No caso, a minha visão foi restabelecida, como num passe de mágica, pelo dr. Allan Barbosa e sua competente e gentil equipe. Nela se inclua não só os excelentes profissionais de saúde, como também todo o seu pessoal de apoio. Num período de sete dias a minha visão estava totalmente restabelecida. É realmente incrível a sensação de ver novamente o mundo com todas as suas cores. Com imagens nítidas. E para usar o termo da moda: em HD. É impressionante redescobrir os prazeres que o sentido da visão pode nos proporcionar. E esse novo prazer visual se estende aos demais sentidos. A incrível sensação de rever o mundo e tudo que nele existe com nitidez, acreditem, melhora também a audição, o olfato, o tato e até o paladar. É quase um renascer. Contudo, como em toda transformação, é necessário equilíbrio para entender que a nova visão revela também alguns detalhes menos bonitos naquilo que se vê. Entra em campo então a maturidade. Nada é (e nem pode ser) totalmente bonito, ou totalmente feio. Deve ser bastante gratificante para o médico devolver a saúde visual para o seu paciente, mas, para o paciente, com certeza, é ainda mais. (*) É procurador de Justiça aposentado.