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Opinião

O Neto e as torcidas

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Não queria seguir a linha dos dois principais articulistas da revista Veja, ou seja, enquanto o mundo pega fogo e a Copa inicia, escrever abobrinhas sobre regimes alimentares, composições musicais e outras mais, quando me vejo diante da notícia de que o Neto inventou de deixar-nos no plano cá de baixo, para subir aos céus da cor de sua preferência. Manoel Lopes - o Neto da Casa Fox - foi um dos poucos homens que conseguiu conviver, pacificamente, com o seu maior rival e ao mesmo tempo chefe. Para quem não lembra, a Casa Fox era de propriedade do Severiano Gomes Filho, o Biano, presidente duas vezes do CRB e o Neto, funcionário da mesma, era chefe da imensa torcida do glorioso Centro Sportivo Alagoano. Homem de inteira confiança do Biano, eu já o conhecia como seu cliente comercial e das apaixonadas arquibancadas do futebol azulino. Não me lembro da chancela ?torcidas organizadas?, mas, garanto, eram mais que as de agora, obedecendo com invejável disciplina a seus chefes. Digo seus, pois lembro também o Ascendino chefiando a alvirrubra. Presidindo o CSA, em 1973, logo de início tive que entender a posição, tomada pelo Neto, contrária a uma série de melhor de três partidas para a disputa do Campeonato de 1971. Pôs panfletos nas ruas, até jogados de teco-teco, recriminando nossa atitude como sendo intempestiva. Achava o título ganho na justiça. Mas, ao final, com a vitória em nossas mãos, todos nos unimos para uma homérica comemoração. A convivência fraternal, até o término de nosso mandato, proporcionou-nos momentos inesquecíveis. Um deles foi quando compramos só a parte de baixo de tamancos, ou seja, a madeira, e distribuímos com a torcida azulina aos pares, para, batendo com as mãos, provocar um ensurdecedor acompanhamento à nossa charanga. Aos domingos pela manhã, providenciavam, as duas torcidas, carreatas pela orla marítima, conclamando o torcedor a comparecer ao estádio. À frente, caminhão com orquestra, seguido por um sem número de veículos. Cada clássico era uma festa, começando já no sábado, com entrevistas insinuando estórias com atletas ou dirigentes. Tudo com a colaboração da imprensa esportiva, incansável, como sempre, na luta pelo engrandecimento do nosso futebol. Agora, temporariamente sem um grande estádio, submetemos nossas torcidas, por (falta de?) segurança, à vergonhosa condição de comparecerem aos jogos sem vestir suas indumentárias características. O que dizer um pai ao filho pequeno quando perguntado: pai, por que não posso ir ao jogo com a camisa do CSA? (*) Ex-presidente do CSA. ([email protected])

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