Opinião
M�dicos escritores e mestre Aur�lio
No início do mês em curso, participamos do 23º Congresso Brasileiro de Médicos Escritores, realizado na cidade de Ouro Preto (MG). Nem o intenso frio dessa região montanhosa amainou o entusiasmo dos 200 participantes. Muitos encontros e reencontros. Novos valores, amantes da literatura, essa ?última flor de Lácio inculta e bela?, ali estreavam; são talentos que renovam as entidades culturais. Por outro lado, reencontro sentimental e afetivo com companheiros de congressos anteriores, no carinho aconchegante de abraços fraternos. Um colega do Rio de Janeiro conhece o poeta Lêdo Ivo e priva de sua amizade. Recitou uma de suas poesias. Não perdi a deixa. Lembrei, de memória, em recitação, o poema Planta de Maceió: ?... Este é meu lugar, entranhado em meu sangue/ como a lama no fundo da noite lacustre. / E por mais que me afaste, estarei sempre aqui/ e serei este vento e a luz do farol, / e minha mente vive na cioba encurralada?. De Lêdo Ivo para Aurélio Buarque de Holanda foi uma transição rápida. Fui convidado, pela Comissão Organizadora desse congresso, para proferir uma palestra, com liberdade de escolha do tema. Não tive hesitações: escolhi discorrer sobre a vida e obra de mestre Aurélio. Motivos não faltavam; trata-se do ano de seu centenário de nascimento; por saber que muitos intelectuais, de outros Estados, desconhecem o fato de que esse ilustre lexicógrafo é alagoano; e que a maioria o conhece apenas como dicionarista, mas desconhece outras obras literárias de sua autoria. Elucidar bem esse tema foi preciosa oportunidade. A delegação alagoana teve destacada atuação: participação nos temas livres, textos históricos, na prosa e na poesia. Nos concursos nacionais realizados, nos quais concorrem sobramistas de todo o País, o companheiro médico Judá Fernandes de Lima conseguiu o segundo lugar no gênero poesia. Duas sócias honorárias conquistaram prêmios: Isvânia Marques, primeiro lugar na atividade literária crônica e Adélia Amorim Magalhães, menção honrosa no gênero poesia. Uma palavra a mais sobre mestre Aurélio: poeta, cronista, tradutor, ensaísta, professor, filólogo, com atividades ampliadas a partir de 1938, quando se mudou para o Rio de Janeiro. Celebrizado como dicionarista, foi durante sua vida um companheiro afável, amigo dedicado, dotado de memória prodigiosa, extraordinária cultura e erudição. Ao passar para a dimensão espiritual seu dicionário tornou-se o companheiro de todos aqueles que utilizam a escrita e que passaram a tratá-lo com a maior intimidade: traga o Aurélio, consulte o Aurélio, veja o Aurélio. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.