Opinião
Alagoas, o Estado mais pobre do Pa�s
É lamentável a forma como o Brasil olha para Alagoas. As nomenclaturas que nos são dadas são em muito dos casos deprimentes, principalmente quando um programa em cadeia nacional diz em alto e bom tom, ?Alagoas, o Estado mais pobre do País?.O programa explorou o lado que a grande mídia não mostra e que na verdade é reflexo das nossas decisões enquanto cidadãos com o direito de escolha, ?eu quero o que é bom para o meu Estado?, mas sempre escolhemos, ?eu quero as mordaças, para que lá fora nos vejam com maus olhos?. Talvez o programa Câmara Record tenha tido o objetivo de despertar para uma reflexão, mas eu,ao mudar de canal, procurando uma programação atraente numa noite de sexta-feira, me voltei a analisar o conteúdo do programa com um sentimento de revolta. Nisso, me pus a refletir sobre o que era apresentado, mas com um olhar crítico e, mais uma vez, me peguei a escrever sobre as escolhas de outubro, que se refletem não apenas no nosso dia a dia, mas num todo, atingindo toda a sociedade. Terra de Graciliano Ramos, Jorge de Lima, Jorge Calheiros, Antônio Lambe-sola e muitos outros ícones da literatura nacional e regional. Sem nos esquecermos de Manoel Lisboa e muitos outros que doaram e ainda se doam para conscientizar a ?galera? para o coletivo, para um bem em comum. Talvez seja essa a mais difícil tarefa, aquela que está bem a nossa frente, mas o medo nos impede de denunciar as injustiças. Isso Platão há muito já havia escrito em ?O mito da caverna? uns seres vivem em uma caverna, vendo apenas o seu reflexo e quando um deles sai vê uma nova sociedade, algo novo que chega a doer em seus olhos, esse indivíduo volta para retirar a venda dos olhos dos seus e se depara com uma situação de acomodação. E de tanta insistência, os seus o matam. E na verdade é isso que acontece na sociedade moderna. Enquanto isso, nós vamos colaborando para que os índices de desenvolvimento humano em Alagoas sejam os mais deprimentes e humilhantes possíveis e não adianta virem com esse discurso de que odeia política, que é através desta ignorância política que aumenta o feijão, o gás, a gasolina, que as crianças ficam fora das salas de aula e a saúde fica na miséria. Estou ciente de que as utopias não passam de ilusões. Mas é através de pequenos atos que podemos transformar a nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, Estado e toda uma nação. A diferença é primordial, o sofrimento é coletivo, goste quem gostar, mas sabe de quem é a culpa para tais nomenclaturas? É nossa, é minha e é sua que fazemos das escolhas um produto e ainda a damos a um mísero valor. (*) É estudante de Jornalismo e poeta popular de Alagoas [email protected].