Opinião
Avan�o da dengue
Mais uma vez o espectro de um surto descontrolado de dengue assombra o alagoano. Segundo as autoridades sanitárias, os seis primeiros meses de 2010 assinalam um crescimento de 900% nas ocorrências devidamente notificadas. Um percentual beirando os mil por cento é impressionante. E injustificável. Especialmente se considerarmos ser a dengue uma doença suficientemente conhecida em seu ciclo vital, o que, teoricamente, possibilita um combate em plenas condições de ser planejado. Infelizmente, ano após ano, o problema apresenta-se maior. A causa básica seria a ineficiência na redução das populações do mosquito Aedes aegypti, o principal transmissor da moléstia. Sabemos, há muito tempo, que esse tipo de mosquito habita preferencialmente os locais de intensa ocupação humana, preferindo depositar seus ovos em acúmulos artificiais de água, como pneus, latas, garrafas, pratos ou qualquer outra coisa que possa armazenar água razoavelmente limpa. O lixo displicentemente esquecido em locais expostos à chuva é o grande centro reprodutor do inseto. E basta olhar como cuidamos de nosso lixo, sempre depositado de forma irresponsavelmente displicente (vício arraigado desde as camadas sociais menos favorecidas até às elites), para entendermos o porque dessa impressionante multiplicação. É o mosquito, na condição de vetor único de transmissão do vírus do dengue, a causa primeira de qualquer aumento no número de contaminados. Mais mosquitos, mais pessoas doentes ? esta é uma relação mecânica. Além do reforço nas ações preventivas (mais equipes nas áreas de risco) e nas iniciativas educativas (campanhas na mídia, nas escolas, etc.), é necessário recrudescer a pressão punitiva (multas, mandatos de buscas em imóveis fechados...). O que não podemos é conviver com percentuais dessa magnitude.