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Opinião

Luiz Carlos e Ana Em�lia

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Transcorria o ano de 1950 quando meu pai, Ernesto Maranhão, decidiu alugar uma casa em Recife para que os seus filhos pudessem dar continuidade aos estudos. Os primeiros conhecimentos, adquiridos no Engenho Titara, foram-nos transmitidos por nossa mãe, Letícia. A casa alugada por papai era modesta e ficava situada na Av. Rosa e Silva. Diariamente, num ritual que para mim se estendeu de 1950 até o fim de 1961, quando conclui o curso de Engenharia e me transferi para Alagoas, íamos apanhar o ônibus que nos conduzia inicialmente ao Colégio Nóbrega e depois à Escola de Engenharia. Acontece que em frente ao ponto de ônibus habitava uma família, dr. Ehrhardt, d. Iracema, e os filhos, moças e rapazes ? ou seriam ainda meninas e meninos? ? com os quais fomos, aos poucos, estabelecendo laços de amizade. Atingida a adolescência, Luiz Carlos, o segundo filho de Ernesto Maranhão na escala cronológica foi estreitando os laços de relacionamento com a filha mais velha daquele casal, Ana Emília. Penso que para ambos, foi o primeiro e único namoro. Evoluiu para noivado e, em 1963, aconteceu o casamento. O jovem casal estabeleceu residência na Usina Santo Antonio e de sua união nasceu numerosa prole: Renata, Ernesto, Cláudia, Adriana e Jerônimo. Agora, de maneira extremamente dolorosa a Divina Providência retirou a vida de ambos: Luiz Carlos morreu no dia 23 de maio e Ana Emília em 13 de junho. A causa mortis foi a mesma: câncer, essa insidiosa doença que parece crescer avassaladoramente. Teria tanto a dizer de uma convivência tão longa que perdurou desde o viço da juventude até a fase mais contemplativa da idade avançada, mas vou me limitar a poucos episódios. Não me deterei na trajetória empresarial que percorremos juntos, tampouco em fatos da vida familiar que compartilhamos. No campo empresarial, falarei somente do que considero a nossa mais bela hora, quando entre 22 de abril e 5 de outubro de 1972 praticamente demolimos a velha e obsoleta Usina Santo Antonio que papai comprou em 1957 e erguemos em seu lugar uma fábrica completamente nova. O ardor da juventude ? Luiz Carlos tinha então 32 anos ? e a fé no futuro do açúcar em Alagoas eram os dois motores que nos moviam. Luiz Carlos e Luiz Ernesto se ocupavam diretamente dos trabalhos de montagem frequentemente caminhando sobre vigas de aço situadas a mais de 12 metros de altura; a mim cabia garantir os recursos e a chegada em tempo da maquinaria a ser instalada. Severino Carlos era o responsável por ampliar os canaviais necessários para alimentar a nossa fábrica. Mas vou me abster de analisar a nossa trajetória empresarial para dedicar este espaço a algo mais sagrado: a família, instituição que é o alicerce de qualquer sociedade. Terminado o horário de trabalho Luiz Carlos se recolhia à residência e sua vida girava em torno de Ana Emília, dos filhos e dos netos, com generoso espaço de tempo dedicado aos seus livros. De forma admirável, coordenando o funcionamento do lar, ficava Ana Emília, uma giganta que procurava não ficar em primeiro plano, mas era a base de tudo. Marido, filhos, netos, sogra, cunhados, cunhadas, sobrinhos e sobrinhos-netos todos a adoravam por sua maneira espontânea e despretensiosa de servir a todos. Para Lêdinha, foi uma irmã amiga, companheira, sempre disponível, e o seu desaparecimento deixou minha mulher profundamente abalada. Meus filhos e meus netos também estão inconsoláveis. Mas como eu disse na cabeceira do ataúde de Luiz Carlos, sob fortíssima emoção, muitas vezes é necessário aceitar o inaceitável. Somente o tempo e a ajuda de Deus poderão esvaecer a tristeza que nos domina. Nossa família que estará unida e preparada para enfrentar o futuro, não desmerecerá o legado que nos deixou o nosso patriarca Ernesto Gomes Maranhão. A morte nos golpeou, mas a vida continua! (*) É empresário.

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