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RONALD MENDONÇA * Os pretendentes a presidente do Brasil e a outros cargos menos relevantes adoram divulgar os apoios dos vips às suas campanhas como um sinal de status, de afirmação perante o eleitorado. A participação do rico e famoso abonando o nome de Fulano de Tal funcionaria como um chamariz junto ao eleitor, ressabiado depois de não sei quantas tentativas em escolher as pessoas certas e que no final revelam-se tão incompetentes quanto os que as precederam. Os espertos marqueteiros costumam pinçar no meio artístico, sobretudo, aqueles que, na teoria, teriam mais credibilidade e, portanto, maior poder de arregimentar votos. Longe de ser novidade, a fórmula deve de fato produzir algum efeito positivo, até mesmo porque não deve sair muito barato ?cooptar? uma Elba Ramalho, um Chitãozinho e Xororó e outros que tais, fazendo de conta que estão engajados na campanha de X. É claro que aqui e acolá ouvem-se depoimentos espontâneos, verdadeiros, de gente séria e efetivamente convencida das qualidades do candidato da preferência, o que não quer dizer que, necessariamente, devam ser seguidos. Numa outra vertente, os marqueteiros (sempre eles) fazem chegar ao conhecimento do público que os seus clientes têm na retaguarda uma equipe competente, harmoniosa, maravilhosa mesmo, nunca dantes reunida, que depois de debater amplamente todos os problemas da Nação elaborou minucioso e espetacular plano de governo, com a possibilidade zero de dar chabu. Em relação a essas equipes, uma das mais curiosas revelações foi feita pelo senador José Serra, ex-ministro da Saúde do atual governo do qual é candidato ? embora às vezes queira tirar o seu da reta - que, ?modesto?, admitiu contar com as 100 melhores cabeças do País trabalhando na elaboração do seu plano de governo. Serra, de olhos bem abertos na cadeira presidencial, elogia as ações governamentais nas áreas da saúde e da educação ? talvez ele desconheça que há uma legião de pacientes graves que não estão sendo atendidos porque o que o SUS paga não cobre um décimo das despesas hospitalares, assim como é possível também que não tenha ouvido falar de que a luz da UFRJ foi cortada por falta de pagamento, só para citar esses pequenos senões - Serra, com razão, critica as indefensáveis situações do alarmante desemprego e da escalada da insegurança pública. O estranho disso tudo é que o candidato, à frente de um ministério como o da saúde, unha-e-carne do presidente, nunca tenha contado pra ninguém sobre essas ?100 melhores cabeças?, inclusive até para dar uma mãozinha a FHC e o País não chegar a esse estado de calamidade. Das duas, uma: ou essas ?100 cabeças? são um blefe e só existem na imaginação do candidato, ou ele foi egoísta e as escondeu tão bem que ninguém conseguiu encontrá-las. Quem sabe, nos escaninhos das cavernas do Afeganistão. (*) É MÉDICO E PROFESSOR DA UFAL

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