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Opinião

Pausa para medita��o

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Ao tempo em que se desenrolavam as emocionantes partidas da última rodada da primeira fase da Copa do Mundo,com seleções de tradição, como a Inglaterra, conseguindo a classificação para as Oitavas somente na última partida e uma das favoritas, como a tetracampeã Itália, eliminada precocemente e outras perdendo a mesma classificação não só na última partida, mas também nos últimos segundos do jogo, no interior de Alagoas, o Estado mais sacrificado da União, as chuvas causavam uma catástrofe gigantesca. Não há como se comparar as alegrias advindas de uma grande vitória ou mesmo as tristezas de uma impactante derrota em um jogo de futebol, por mais importante que o seja mesmo uma final de Copa do Mundo, com uma conquista na vida real, tipo um filho passar em um concurso difícil que lhe aquilata o preparo para vencer na vida, ou o outro extremo: ter um filho doente ou com problemas com drogas. O fato é que convivemos diariamente, com as possibilidades e os riscos de nos defrontarmos com ambas as situações. As alegrias demoradas podem até existir, mas as permanentes, quem as tem?Por outro lado, ninguém está livre de passar bruscamente de um momento de suprema felicidade, para o outro extremo, uma vivência de angústia e de sofrimento. E não é preciso se fazer nada para atrair as atribulações: elas vêm sem precisar ser chamadas. As alegrias supremas, geralmente efêmeras, devem ser aproveitadas ao máximo, como se eternas fossem (Browning: Toda a alegria é ganho/ E o ganho é ganho, inda que pequeno). Uma vitória da seleção brasileira em uma Copa do Mundo, que só acontece de quatro em quatro anos, sempre será um excepcional motivo para a alegria coletiva. Daí, a empolgação e a festa se justificam, os jogos são como um carnaval universal, onde não faltam até as fantasias mais bizarras em torcedores dos países mais sisudos da face da Terra. Mas aqui nas Alagoas, as alegrias da Copa do Mundo, principalmente as decorrentes das vitórias brasileiras, foram perversamente obscurecidas pela tragédia das chuvas. Dos muitos desabrigados, das mortes, da pobreza aumentada, do sofrimento de tantos conterrâneos ( Shakespeare: aos infelizes resta só um remédio, a esperança). Para quem está vendo a Copa, saúde física e financeira intocadas (Voltaire:somos infelizes pelo que nos falta e não somos felizes pelas coisas que temos:dormir, etc., não dormir é insuportável), é indispensável ser solidário às vítimas da tragédia e fugir da realidade momentaneamente, saboreando ao máximo os fugazes momentos de felicidade. (*) É médico e professor da Uncisal.

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