Opinião
O dia do papa: o guardi�o da verdade do Evangelho
No próximo dia 29 de junho - no Brasil, no domingo após esta data -, a Igreja celebra os dois grandes apóstolos Pedro e Paulo. E, juntamente com esta solenidade, comemora o dia do papa. Cristo desejou e fundou a Igreja. Os evangelhos descrevem isso claramente: a escolha dos doze (cf. Mc 3, 13-19) de maneira distinta dos demais discípulos - sinal evidente de uma hierarquia -o ensinamento sobre a correção fraterna (cf. Mt 18, 15-18) - indicação de uma vida em comunidade - são exemplos evidentes desse desejo. Mas ele não somente instituiu a Igreja. Cristo instituiu também o ministério petrino (cf. Mt 16, 18s). Pedro recebeu de Cristo a missão de confirmar os seus irmãos na fé, sendo chefe do grupo dos apóstolos e da Igreja nascente. Cristo quis a Igreja e o ministério de Pedro para que ambos fossem sua presença no mundo. A Igreja não é um museu ou o clube dos amigos de Jesus, cuja finalidade é cultivar sua memória, ameaçada de se perder nas brumas de um passado longínquo. A Igreja porta consigo, pela pregação da Palavra e pelos sacramentos, principalmente a Eucaristia, a presença viva e transformadora de Jesus. O ministério petrino não se encerrou com o martírio de Pedro. Desde o início, aparece claramente entre os apóstolos a certeza de que eles receberam um dom a ser transmitido (cf. At 1, 15-26). Surgem, então, os sucessores dos apóstolos: os bispos; sendo que o bispo de Roma - cidade onde Pedro derramou seu sangue por Cristo - será sempre o sucessor direto de Pedro, exercendo na Igreja sua missão. Nesses mais de dois mil anos de história, a figura do papa se tornou um dos pilares da identidade ocidental. Marcado por momentos gloriosos, passando pelos tropeços pessoais de alguns ministros, o papado se tornou fundamental por ser guardião da verdade do Evangelho, que convida à aspiração de valores mais altos, clama pelo respeito à vida e pela fidelidade aos grandes ideais. Esta verdade não é do papa ou da Igreja; é a verdade de Cristo, jamais negociada. Não é à toa que a figura de Bento XVI, atual sucessor de Pedro, tem sido alvo de tantas críticas levianas e infundadas. Desmoralizar o papa e o ministério petrino é atacar as raízes de nossa civilização ocidental, é sufocar uma voz incômoda, reveladora de onde viemos e de qual é a nossa matriz religiosa e cultural. A Igreja, após João Paulo, II recebeu a graça de ter Bento XVI como seu pastor. Homem culto e simples, apaixonado por Cristo, comedido nos gestos, profundo nas palavras, aberto ao diálogo, justo em suas decisões, é hoje o porta-voz do cristianismo e do Ocidente. Deus abençoe o papa. (*) É psicólogo, bioeticista e seminarista ([email protected]).