Opinião
Cuidado reconstrutor
Mesmo ainda sob justificados temores de novas cheias, as populações das ribeiras inundadas pela inusitada ?tsunami? fluvial precisam ser deslocadas para novas e seguras áreas. A reconstrução precisa ser iniciada sem delongas e, o mais importante, seguindo o bom senso e as normas básicas do planejamento urbano moderno. Ignorar os preceitos do planejamento tem sido uma característica marcante e historicamente presente em todas as regiões brasileiras. E, infelizmente, até ensinamentos empíricos acumuladas ao longo dos tempos (como evitar áreas de risco) parecem ter sido esquecidas nas últimas décadas. Assim, atabalhoadamente, as cidades têm crescido sobre perímetros potencialmente arriscados, premidos pela especulação imobiliária e pela prática das ocupações de quaisquer áreas disponíveis (fenômeno corrente em todas as faixas sociais, embora caiba aos menos favorecidos os terrenos mais perigosos). Sem planejamento, sem observação às lições do passado e ignorando as próprias leis da natureza, os arruados espalham-se por dentro do perigo, avançando sobre as calhas naturais de alagamento, descendo ravinas (grotas) instáveis, desmatando a vegetação ciliar e tudo mais que arriscoso for. Mais cedo ou mais tarde é evidente que algo de desastroso possa acontecer. Em Alagoas precisa-se atentar para os ensinamentos oferecidos pelas próprias catástrofes. E este momento é agora, não se trata de trabalho para amanhã. Assim como os recursos destinados merecer fiscalização especial em sua aplicação, os projetos de reconstrução necessitam do aval competente dos planejadores urbanos. Novas áreas precisam ser determinadas para a recolocação da malha urbana destruída ao mesmo tempo em que os perímetros alcançados por essa enchente devem ser preservados distantes de novas povoações.