loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Li��es de Graciliano sobre economia

Ouvir
Compartilhar

A notícia de que o Brasil gasta mais com servidor público do que países mais ricos me fez lembrar os relatórios que o escritor alagoano Graciliano Ramos, então prefeito de Palmeira dos Índios, enviara para o governador do Estado, prestando contas da sua administração. Ao tomar conhecimento dos relatos, o jornal ?O Semeador? assim se expressou em seu editorial de 04.02.1929: ?Existiam na Prefeitura de Palmeira dos Índios uns empregados que não faziam nada e outros que só faziam política. S. Excia. mandou os primeiros para casa e dispensou os segundos?. Além de enxugar a folha de salários e cortar gastos inúteis, Graciliano atacou a inadimplência e a sonegação, como forma de aumentar a receita sem criar novos impostos. ?Fechei os ouvidos, deixei gritarem, arrecadei 1:325$500 de multas, prova que a coisa não ia bem.? A partir daí começou a surgir dinheiro em caixa. E o Mestre Graça não perdeu tempo, realizou importantes investimentos, a exemplo da construção da estrada que liga Palmeira dos Índios a Santana do Ipanema, fato que contribuiu para o desenvolvimento da região. Passados esses anos todos, parece que a sociedade brasileira não quer entender as lições do nosso Graciliano. Muito pelo contrário, permite o inchaço da máquina e a concessão de privilégios à custa do dinheiro público. Resultado: sem poupança para investir em infraestrutura e em serviços públicos de boa qualidade, não conquistaremos a confiança do capital privado. E sabemos muito bem que é essa confiança que alavancará nosso crescimento econômico sustentado, ou seja, que criará novos postos de trabalho para atender ao aumento populacional, que aumentará as receitas públicas, que, enfim, adormecerá o dragão inflacionário com o aumento da produção. Sem crescimento fincado em alicerces sólidos, nossa sociedade se vê obrigada (como que punida pela sua omissão) a pagar uma das maiores cargas tributárias do planeta para atender a propósitos políticos e transformar o Estado brasileiro no maior e menos eficiente empregador. E dizer-se isso numa economia que se diz capitalista. Ao tomar suas decisões, Graciliano deve ter pensado no bem coletivo e na sua honra: ?Não favoreci a ninguém. Perdi amigos que não me fizeram falta. Se a minha estada na prefeitura por estes dois anos dependesse de um plebiscito, talvez eu não obtivesse dez votos?. Há quem despreze esses valores e utilize nossos impostos para se agarrar ao poder, nem que isso provoque o endividamento do setor público e adie o crescimento econômico do Brasil. (*) É contador.

Relacionadas