Opinião
Preserva��o b�sica
Um dos prédios remanescentes das edificações rebuscadas que ornamentavam a paisagem urbana de Maceió do início do século 20, o casarão que foi o Hotel Lopes ia sendo demolido de forma silente. Felizmente, a fiscalização municipal flagrou, a tempo, a iniciativa destruidora. Ao longo das décadas foi derrubada a maioria dos imóveis que marcaram época no Centro da Capital alagoana. Os casarões eliminados eram as lembranças de um tempo onde os parâmetros arquitetônicos em moda eram usados como sinônimo de elegância e prosperidade. Em verdade, como cidade de grandes mudanças operadas na segunda metade do século 21, Maceió nada resguardou do período anterior a 1839, quando foi ungida como a capital da Província. Os prédios mais antigos, supostamente simplórios para o novo status da cidade, foram substituídos por edificações do tipo neoclássico, umas lembrando as referências lusitanas antigas, como o palacete Barão de Jaraguá, mas a maioria embarcando na onda de um neoclássico mais filigranado, com profusão de elementos decorativos. Essa opção arquitetônica teve seu auge na primeira quadra do século 20 e o quase finado Hotel Lopes era um dos poucos exemplares sobreviventes. O imóvel chegou ao século 21 já bastante danificado, partilhado em seu uso, o que descaracterizou seus ambientes internos e com vários danos em suas fachadas anteriormente ricamente decoradas. E quase desaparecia de vez. Mas ainda é tempo de salvá-lo e restaurá-lo. E, principalmente, lhe dar um novo uso, condizente com a preservação de suas características originais. Para isso, entretanto, se faz necessário algo mais que impedir a destruição. Este algo mais só pode se materializar através de inovadoras políticas públicas, municipal e estadual, de apoio à iniciativa privada para a restauração, preservação e uso adequado do patrimônio.