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A Gazeta que circulou no último sábado (26) trouxe um artigo, bem escrito, pelo delegado Flávio Saraiva. O texto faz uma relação entre as famílias vítimas das fortes chuvas que caíram no Estado e a mobilização dos camponeses sem-terra que exigiam a saída do superintendente do Incra, Estevão Oliveira. Em outras palavras, o delegado escritor afirmou que os sem-terra são insensíveis à tragédia vivida por centenas de pessoas, talvez tenham lhe faltado argumentos para afirmar que os culpados pelo drama seriam os próprios sem-terra. O artigo fala de uma ocupação na sede da Eletrobras Alagoas, que em tese atrapalharia o retorno do fornecimento de energia às áreas atingidas, o que não é verdade, pois se trata de um prédio administrativo e os camponeses chegaram depois das 18h com a intenção de passar a noite e se proteger das chuvas embaixo das marquises. Às 6h do dia seguinte deixaram o local em caminhada, com o objetivo de sentar com o ouvidor agrário nacional, Gercino Filho, e formalizar o pedido de exoneração do superintendente do Incra-AL. No mesmo artigo o delegado escritor fala que à noite teve banho de mar e forró na praça. Mais uma vez faltou com a verdade, pois os camponeses que recebem o apoio da CPT retornaram aos municípios de origem no final da tarde. O mais grave foi acusar os camponeses de não serem solidários, de não colocar a mão na massa para restabelecer a dignidade das famílias. É salutar esclarecer à sociedade, lembrando que a prática solidária é comum no meio campesino, faz parte da formação. Quanto ao recente acontecimento que comoveu toda a sociedade, a CPT tem sido solidária com as famílias de Murici, Branquinha e União dos Palmares, levando alimentos e roupas arrecadadas nas comunidades. Sugiro ao delegado escritor que faça um novo artigo, desta vez, investigativo para identificar o porquê da tragédia. Porque os rios Mundaú e Paraíba elevaram tanto os níveis das suas águas? Por que as pessoas moram de forma tão indigna? No mesmo artigo poderia fazer uma relação entre a corrupção em Alagoas e a qualidade de vida do povo. Seria fundamental exercitar cálculos e projeções do tipo: quantas casas dariam para ser construídas com o dinheiro que se esvai pelos ralos da corrupção em Alagoas? Poderiam servir de exemplo os últimos escândalos: ?taturanas?, ?guabirus?, e as ?armas italianas? compradas com dinheiro público e que não chegaram ao seu destino. Como sei que o delegado encontra-se ocupado, articulando ações para amenizar as dores dos irmãos da região atingida. Inclusive, sem participar da maior festa popular do Nordeste, que é o forró, nem tem sofrido com as péssimas atuações da seleção brasileira, o próximo artigo pode esperar um pouco. (*) É historiador e coordenador da CPT.

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