Opinião
A copa dos gladiadores
A Copa do Mundo que se desenrola pela primeira vez no continente africano, infelizmente, tem nos mostrado um futebol medíocre, principalmente por parte das seleções mais tradicionais, tidas pela imprensa como as grandes favoritas; dentre esses engôdos está a nossa seleção. O que temos assistido até o momento é um futebol onde prevalece a força física em detrimento da técnica. A grande e triste verdade é que a influência externa, muitas vezes alheia à bola, tem sido determinante para o espetáculo. A bola ou jabulani, num dos dialetos africanos, é um grande exemplo desse paradoxo; ela foi projetada e fabricada por uma grande empresa alemã que, a exemplo de outras, explora, literalmente, o futebol mundo afora; os supostos maiores interessados - os atletas das seleções - tais como os traídos, foram os últimos a saber, ou a conhecê-la. A nossa seleção, ou seleção da C.B.F. - entidade política apropriada pelo sr. Ricardo Teixeira - cópia fiel de seu comandante (Dunga), não empolga os brasileiros apaixonados pelo futebol-arte, outrora exibido pelos nossos nostálgicos escretes. A intromissão de pessoas ligadas aos grandes investidores internacionais, introduzindo, por conseguinte, o chamado ?futebol de resultados?, afastou dos gramados os jogadores mais habilidosos e que não se adaptaram aos novos esquemas táticos e físicos; alguns dos nossos craques, aqueles chamados de ?diferenciados?, após serem descobertos pelos grandes investidores, são entregues aos preparadores físicos que os transformam em verdadeiros brutamontes, perdendo sua agilidade e expondo-os a diversos problemas musculares. Os antigos esquemas 4.2.4 - anos 50 e 60 - depois 4.3.3 - anos 70 e 80 - encantavam os torcedores de todo o mundo, que admiravam as jogadas dos craques brasileiros, a exemplo de Garrincha, Pelé, Rivelino, Tostão dentre tantos outros. O que somos obrigados a assistir hoje, são verdadeiros esquemas de gladiadores - 3.5.2 e até, por enquanto, 3.6.1. - inclusive na nossa burocrática seleção; provavelmente, esteja aí a rejeição do nosso truculento treinador a jogadores como Ganso, Neymar, Ronaldinho gaúcho. É muito comum ouvirmos os técnicos afirmarem que seus times perderam por falta de pegada; às vezes pensamos estar escutando declarações de tratadores de cavalos. Francamente, duvido que o saudoso Mané Garrincha, com suas deficiências físicas, faria, hoje, as diabruras realizadas na sua época! Com certeza lhe faltaria o espaço necessário para exercer a sua arte inata. A insofismável verdade é que, enquanto a maioria dos treinadores estiver escalando as suas equipes com o objetivo prioritário de não perder, continuaremos a assistir espetáculos deprimentes, semelhantes às terríveis lutas marciais protagonizadas por 20 gladiadores. (*) É professor do Cesmac.