Opinião
A bola segue rolando
Debruçar-se-á sobre o resultado de Brasil x Holanda uma multidão de milhões de técnicos apaixonados, afinal cada brasileiro é um técnico de futebol. Cotovelos doridos, a incomensurável chusma certamente já escalou o técnico para a vaga de culpado, posto para o qual já estava cotado desde a convocação do time. Dunga escaparia apenas se trouxesse a Copa do Mundo; e ainda assim não teria como livrar-se dos arranhões sofridos, mais das vezes por seu tratamento agressivo com a imprensa. Mas o mundo não acabou com a eliminação da seleção brasileira da Copa do Mundo 2010. Gigantes como a Inglaterra, Itália, França, Portugal igualmente voltaram para casa antes do tempo que a lógica poderia supor. Felizmente futebol, como a maioria dos esportes, é assim mesmo: A lógica não prediz resultados. Certamente se assim não fosse não teria graça nem emoção, nem mesmo existiriam vuvuzelas. Serão bem-vindas todas as críticas à seleção brasileira. As fundamentadas deverão ser consideradas e estudadas pelos cartolas, afinal nas mãos desses dirigentes estará o destino dos pés escalados para a próxima copa. Como sabemos a Copa do Mundo 2014 será jogada no Brasil. Aí aumenta, em muito, a necessidade de avaliações consubstanciadas sobre as táticas a serem escolhidas para a futura seleção. Neste sentido, 2010 é uma grande lição. A copa disputada no Brasil multiplicará as pressões sobre nosso selecionado. Além da combinação tríplice de reverter os recentes resultados negativos, honrar a posição no ranking da Fifa, e ser o favorito por jogar em casa, pesará sobre a camisa canarinho o estigma do Maracanazo. A tragédia da derrota por 2x1 para o Uruguai na final de 1950 é uma chaga eternamente aberta. Trauma que poderá ser revertido daqui a quatro anos. Para tanto, descontados os exageros típicos da emoção do momento, toda crítica é positiva.