Opinião
Elano e a trag�dia dos erros
Os erros de arbitragem dos jogos Alemanha x Inglaterra e Argentina x México estão entre os mais grosseiros perpetrados até agora nesta Copa do Mundo. Entre as possíveis soluções propostas pelo experts (ainda com resistência da FIFA) estariam os chips para detectar se a bola entrou ou não no gol e os recursos de vídeo para os impedimentos. As coisas estariam resolvidas, pelo menos no futebol. Mas infelizmente, a tecnologia, mesmo aquela centrada na informática tem os seus limites e os seus erros. Existem pelo menos dez graves e emblemáticos erros decorrentes do uso da informática, entre eles o possível extermínio de milhares de vidas humanas, verificado na União Soviética em 1983, em plena guerra fria,quando um erro no software indicou que mísseis balísticos tinham sido lançados pelos EUA: a terceira guerra mundial esteve na iminência de explodir. Entre outros erros da informática: um novo e equivocado software da poderosa Siemens impediu as férias de meio milhão de ingleses em 1999; uma falha na atualização do software do Ministério do Trabalho inglês deu um prejuízo de mais de 1 bilhão de libras em 2004 e quem não se lembra do terror verificado na passagem do milênio em 2000, profetizado pela informática e dos gastos de milhares e milhões para evitar o temido desastre que felizmente não ocorreu? Erros de árbitros no futebol sempre ocorreram e não podemos reclamar muito. Preocupam-me mais os erros médicos que podem ter consequências para a vida humana. Como atualmente a Copa do Mundo é o assunto predominante: o caso de Elano poderia ser um erro médico? Segundo um colega ortopedista, como o tempo para recuperação era pequeno o Dr. Runco poderia ter pedido logo a ressonância e ter feito o diagnóstico mais precocemente, o que poderia abreviar a recuperação do atleta. Este seria um suposto erro sem maiores conseqüência não fossem as paixões da Copa. Erros médicos são uma preocupação crescente entre os facultativos. Uma pesquisa recente da Vade Mecum Consultoria feita entre médicos registra que a maioria se preocupa ?muito? com isto e aloca entre as maiores causas o cansaço, o acaso, a falta de estrutura, mas também a negligência e a incompetência. Segundo esta consultoria, o erro médico, seria em última análise um fato inevitável com o qual o profissional precisaria conviver e penso eu, fazer profilaxia. Segundo Ortega y Gasset: ?Contrariamente ao que creem os chorões, todo erro é uma propriedade que acresce o nosso haver. Em vez de chorar sobre ele, convém apressar-se em aproveitá-lo como lição.?. (*) É médico e professor da Uncisal