Opinião
Hora da vigil�ncia
Como numa paródia imoral e cruel da máxima que assevera serem ?crise e oportunidade? palavras escritas com os mesmos caracteres em uma determinada língua oriental, em todo mundo, momentos de tragédia geram ondas de solidariedade e de oportunismo. Em meio às notícias sobre as tragédias e as dores dos desvalidos surgem inapelavelmente as informações sobre as vigarices daqueles que não se pejam em aproveitar-se da miséria alheia. No caso específico dos efeitos da verdadeira tsunami fluvial que se abateu sobre o Pernambuco e Alagoas, ondas de picaretagem surgem com força, num assoreamento moral que precisa ser combatido com firmeza, quer seja para garantir às vítimas verdadeiras o máximo de apoio possível, quer seja para assegurar às iniciativas solidárias toda a valorização que tais gestos são merecedores. Até agora duas formas de vigarice têm se destacado em Alagoas: desvio de gêneros alimentícios e infiltração de falsos ?flagelados?. Cestas básicas e demais produtos enviados aos desabrigados têm sofrido deslocamento para a comercialização e pessoas têm sido flagradas na tentativa de se cadastrar como vítimas da enchente, sem o serem, com o objetivo de amealhar indenizações. Tal realidade exige das autoridades múltipla atenção. Igualmente cobra das entidades civis, envolvidas nesse processo, cuidados redobrados para evitar esses golpes contra a cidadania. Nas áreas atingidas, as dificuldades e as perdas seguem sendo enormes. Aquela realidade caótica só pode ser minorada por ações coordenadas e seguramente direcionadas no sentido de minorar o sofrimento das vítimas e dar-lhes condições mínimas, reais, de reconstruírem suas vidas. Isto significa um dispêndio de milhões, o que, inapelavelmente, atrairá os seres rapinantes de sempre. A polícia precisa ser usada, sem delongas, contra todos esses golpistas.