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Brasil x Holanda: as derrotas que devemos lamentar

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Ansiosos, contávamos os dias para o início da Copa do Mundo de 2010. Seríamos hexacampeões. Mas perdemos de 1 x 2 para a Holanda nas quartas de final. Foram quatro anos de espera, mas em poucos minutos o sonho ruiu. Restou-nos avaliar a implacável derrota. Nosso sistema defensivo era tido como muito bom. Fechamo-nos lá atrás e apostamos na individualidade dos nossos atacantes. Mas eles não estavam inspirados e não conseguiram superar a forte equipe liderada por Robben e Sneijder. Na verdade, quero crer que não preparamos uma boa safra de atacantes para esta copa. No final daquela tarde fatídica de 2 de julho, nosso amor pela seleção tomou contornos dramáticos. Depois do jogo, o Toinho Alfaiate não fez outra coisa a não ser lamentar a derrota: ?Não acredito no que vi, isso só pode ter sido um pesadelo?. Depois se autoconsolava: ?Eles só ganharam por causa daqueles dois gols de bola parada. Obra do acaso?. É isso, cada um encontra uma forma de absorver as perdas. Mas a vida continua e, agora, devemos voltar nossas atenções para o dia a dia. Antes de pegar no batente, porém, veio-me a ideia de conhecer o placar, fora das quatro linhas, entre o Brasil e a Holanda. Acredite, temos sofrido homéricas goleadas. Perdemos em expectativa de vida; em renda per capita; na qualidade dos serviços públicos; em urbanização e em investimentos em infraestrutura. Perdemos feio quando comparamos nossos índices de criminalidade e mortalidade infantil com os de lá. Ao contrário do que o Toinho pensa, temos tomado gols em movimento. Dados recentes mostram que os acidentes de transito mataram mais brasileiros do que holandeses. Ah, não sei se ele sabe, mas fazemos gols contra. Pois é! A Holanda ocupa o 6º lugar no ranking dos países menos corruptos do mundo. O Brasil situa-se no 75º lugar. Um acinte à civilização. Eu não sabia, mas os holandeses se aperfeiçoaram na arte de fazer gols de letra. Não é que eles têm quase 100% de aproveitamento em alfabetização e frequência escolar! É inegável que o futebol tem sido uma excelente referência, afinal, foi ele que nos apresentou ao mundo. Mas acho que já é hora de pensarmos em questões mais importantes, a exemplo das políticas, econômicas e sociais, pois, são elas que suavizarão os impactos das derrotas da vida. Se trouxéssemos o hexa, vararíamos a noite vibrando de emoção. Mas seria uma conquista modesta. A alegria seria efêmera, pois, ao raiar do dia, voltaríamos a enfrentar a vidinha de sempre: subdesenvolvida e injusta. (*) É contador.

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