Opinião
Lixo e Ecoexemplaridade
Com o crescimento da população, dos níveis de consumo e da sofisticação das embalagens, o lixo é um dos problemas ambientais mais preocupantes do século 21. Recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta para grandes cidades (mais de um milhão de habitantes), a produção média diária de 1,15 quilo por habitante. A mesma análise informa que a coleta seletiva do lixo no País representa apenas 2,4% do total. Portanto, muito se tem a evoluir nessa prática. Em artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no dia 24 de junho deste ano, intitulado Os deserdados do Lixão, o professor do Cesmac Rubens Mário expõe sua preocupação com os catadores de lixo que atuavam no Lixão de Maceió ? desativado há dois meses com o funcionamento da Central de Tratamento de Resíduos. No texto, ressalta a perda da ocupação dos catadores sem, entretanto, lembrar as condições subumanas e de total miserabilidade impostas a essas famílias, e indica a coleta seletiva como uma das alternativas para minimizar o problema. Contudo, não reconhece, erroneamente, que a responsabilidade por essa prática deve ser dividida entre a sociedade e o poder público. Essa responsabilidade que se inicia muito antes da produção do lixo, com uma série de atitudes das pessoas, governo e empresas enfeixadas no denominado consumo responsável. Uma das mais eficazes ferramentas na implementação de práticas ambientalmente corretas em todo o mundo tem sido o exemplo. Daí a surgir o conceito de ecoexemplaridade, termo que funde ecologia e exemplaridade ? qualidade ou caráter de exemplar. Um provérbio chinês afirma que ?uma grama de exemplos vale mais que uma tonelada de palavras?. Existe uma série de outros postulados que reforçam a importância e a força do exemplo nesse sentido. As instituições de ensino, como aquela em que o citado professor leciona, são ambientes ideais para um programa de coleta seletiva do lixo. Afinal, teremos um público com instrução suficiente para um rápido entendimento da proposta, como é de se esperar. Fica lançado o desafio para se trocar palavras por ações concretas de ecoexemplaridade, com a ressalva de que é longo e tortuoso o caminho a seguir. Tratar-se-á de mudança de comportamento de seres humanos, impregnados por uma cultura de desperdício e desprezo pela participação coletiva. Contudo, tudo é possível quando nos movemos por ideais e esperanças de melhores cenários para a sociedade que participamos. (*) É secretário municipal de Proteção ao Meio Ambiente.