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Opinião

Aprendemos Vivendo

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Somente vivendo aprendemos sobre a vida. Não ter medo de chegar ao lado adverso do abismo, atravessando a ponte, passando por cima, por dentro, por fora, por baixo, através, usando até as alamedas que sobraram para nós: isso é viver. O risco de errar, numerosas vezes, leva o ser humano a ter medo de ir mais além. Mas, só não erra quem nada faz. Errar é direito fundamental de quem vive. Errar não é obstáculo e sim trampolim para o exercício do viver. O inventor americano Tomás A. Edison, após falhar 99 vezes na invenção da lâmpada elétrica, assim falou para importante jornal: ?Cada falha é uma maneira de não inventar a lâmpada, mas é também uma indicação para não repetir o erro no futuro?. Não é demais asserir que o erro é importante juízo sobre a experiência, mas não lamentável fracasso, por ser a vida tecida do vai e vem da experiência humana. Conhecida poesia japonesa, das mais curtas da literatura nipônica, assim expressa: ?Minha cabana foi destruída. Melhor: agora posso ver a lua?. A lei da compensação estabelece que todo acontecimento contém em si o acerto e o erro, o positivo e o negativo, a alegria e o sofrimento. Até a situação mais favorável guarda, dentro de si, dificuldade e obstáculo. O que importa não é evitar cometer erros, mas a maneira de reagir a eles. Nas diferentes ocasiões, a melhor atitude mental é sentir, interiormente, que tudo ocorre para o nosso bem, ainda que de modo errado. Em última análise, aprendamos a reconhecer, nos acontecimentos, efeitos imprevistos e até contrários à sua aparente realidade. Reflitamos sobre inteligente parábola chinesa: ?Era experimentado camponês que vivia com o filho, no píncaro da colina, quando, certa feita, perdeu o cavalo. Foram os vizinhos até ele, demonstrando seu pesar por essa desgraça. Mas, o velho respondeu: ? Como sabem vocês que é uma desgraça? Passados alguns dias, retornou o cavalo com vários outros. E foram os vizinhos congratular-se com o amigo, em vista tamanha sorte. E o velho retrucou: ? Como sabem vocês que é uma sorte? Mas de logo, o filho do camponês começou a cavalgar; e certo dia, quebrou a perna. Os vizinhos, de repente, foram expressar seu pesar. E o camponês: ? Como sabem vocês que se trata de um azar? Meses depois, surgiu a 2ª guerra mundial. E o jovem filho do camponês não foi obrigado a alista-se, porque quebrara a perna. (*) Publicação póstuma, o autor foi bispo de Palmeira dos Índios, escritor e presidente da Academia Alagoana de Letras; faleceu no dia 20 de março de 2010.

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