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Opinião

Sobre as coisas que n�o passam

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A Copa do Mundo de 2010 se encerra hoje. O som ensurdecedor das vuvuzelas está com as horas contadas. Embora a euforia brasileira pelo sexto título de campeão mundial tenha terminado há alguns dias, o mundo volta à normalidade a partir de amanhã. Os grandes eventos como a Copa são saudáveis. No entanto, cada vez que estes mesmos acontecimentos chegam ao seu término é inevitável a pergunta: o que fica? Se respondermos honestamente a essa pergunta, diremos nada. Somente a espera por mais um evento, quiçá, as eleições próximas nos tirarão da rotina e nos encherão de uma esperança passageira. Nas Escrituras Sagradas, o profeta Baruc nos convida a aprender onde se encontra aquilo que dá verdadeiramente brilho aos olhos: a sabedoria que vem do Alto (cf. Bar 3, 14). Somente a sabedoria, cuja fonte é o encontro pessoal com o divino, dá ao homem a certeza de que as coisas simples de cada dia são sempre cheias da presença amorosa de Deus. E se as coisas cotidianas encontram sua fonte em Deus, elas não passam. Por isso, o amor que dedicamos às pessoas queridas, as amizades que conquistamos, o trabalho feito com dedicação são verdadeiramente as coisas que não passam. São elas que deixam marcas e enche os olhos de vida e de alegria. A alegria cristã não nos arranca da realidade. O cristão jamais se agarra a eventos externos como um antídoto contra a monotonia do cotidiano. Pelo contrário, a alegria cristã nos insere na realidade de cada dia com um outro olhar. Não se trata de pensamento positivo. A alegria cristã é fruto da esperança, virtude que cada cristão cultiva na sua vida diária, fruto da íntima relação com Deus que se revela em Jesus Cristo. E a esperança não decepciona e enche de sentido a vida. Cada gesto, cada atividade diária faz parte do plano salvífico de Deus. Nada é por acaso. Tudo tem o seu propósito. Mesmo aquelas situações absurdas e de sofrimento, trazem as marcas do eterno nesse mundo. O cristão, portanto, deve se alegrar com os que se alegram, devem participar dos eventos desse mundo. Mas não deve encontrar neles o sentido último de sua existência, pois eles passam e deixam o gosto amargo da falta de sentido. Somente a vida cotidiana, onde acontecem as coisas que a maioria da pessoas não vê, traz as marcas do Eterno. Amar, sonhar, esperar são as coisas que, quando enraizadas em Deus, verdadeiramente não passam. (*) É psicólogo.

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