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Opinião

Vidas secas

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No último mês de junho, Alagoas foi mais uma vez lembrada em nível nacional; desta feita em virtude das inundações ocorridas em algumas cidades do nosso Estado. Segundo o que acreditam alguns especialistas ligados à Universidade Federal de Alagoas, esse desastre ocorreu em virtude do rompimento de algumas barragens particulares construídas nos arredores das bacias dos rios Canhoto, em Pernambuco, e Mundaú, que banha Alagoas e Pernambuco. Após a grande catástrofe, houve uma grande comoção nacional e, felizmente, tem chegado ajuda de diversos rincões e de diversas vertentes da sociedade; o governo federal liberou, imediatamente, alguns milhões de reais para a reconstrução das cidades que foram literalmente destruídas, a exemplo de Branquinha. Louvemos a disposição de todos, inclusive voluntários, para ajudar os habitantes das cidades castigadas. Esse grande exemplo de altruísmo e generosidade de todos nos fez aceitar que ainda existe saída para os problemas sociais, por mais graves que eles sejam, vide a pronta intervenção do governo federal, através dos vários tipos de ações desenvolvidos; é bem verdade que devamos olhá-los com bastante cautela, por se tratar de um ano político, onde as boas ações são sempre vistas com desconfiança pelo povo; esse detalhe me remeteu a um outro problema social, incrivelmente mais sério e absurdo, principalmente por não possuir aspectos contingenciais; me refiro à terrível seca que assola a maioria das cidades do sertão nordestino. O grave problema social se concentra no chamado ?polígono das secas? formado pelos estados de: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Essas áreas, ao contrário das que foram afetadas pelo problema anterior, não são atingidas por massas de ar úmidas e frias oriundas do Sul. O impune desmatamento da Zona da Mata, também é apontado pelos especialistas como um agravante do problema. Há um velho adágio popular que diz: ?Há males que vêm para o bem?. Talvez, os desígnios divinos nos mandaram essa catástrofe para nos mostrar que existe, sim, gente generosa e, mais que isso, existem verbas suficientes e utilizá-las para a transformação do nosso Nordeste ou, como se tem feito até agora, simplesmente para a reconstrução de barracos e distribuição de cestas básicas, é uma opção nossa. A chamada ?indústria da seca?, perpetuada e patrocinada pelos entes governamentais, impede o desenvolvimento da agricultura e da pecuária familiar, retirando desse povo as condições essenciais de sobrevivência, ocasionando a falta de recursos econômicos nessas regiões, provocando o desemprego e um consequente êxodo rural, inchando posteriormente os centros urbanos e desencadeando uma série de outros problemas sociais, a exemplo da violência. (*) É professor do Cesmac.

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