Opinião
Caso Bruno: necessidade de valoriza��o da fam�lia
O caso do goleiro Bruno, acusado de mandar assassinar cruelmente Eliza Samudio, chocou o País pelos elementos repugnantes de um crime bárbaro, de proporções inusitadas, que leva psiquiatras e especialistas a tentarem entender a dimensão do fato, de gravidade aguda, que expõe, mais uma vez, o nível de degradação moral e banalização da vida humana, num tempo em que vivemos, de violência crescente. Mais do que uma tragédia grega, o caso do goleiro Bruno chama a atenção para o nível de perigo social que a cultura hedonista, individualista, consumista e materialista dos nossos dias induz, tendo em vista o quanto a vida humana tem perdido o seu valor ético e, com isso, tornando vulnerável demais as relações humanas, que se tornam cada vez mais descartáveis, imediatistas e utilitárias. No centro desta grande crise social está o esfacelamento do sentido da família, que vai perdendo a sua histórica força de coesão social, pois com a família destruída, não há como a sociedade reencontrar a natural proteção contra a barbárie. A tragédia que o caso do goleiro Bruno evidencia é a de que se faz necessário, especialmente por parte do poder público, começar a investir no fortalecimento da família, pois sem tais investimentos não há como conter os inúmeros e crescentes problemas sociais, muitos deles existentes por causa de uma crise mais profunda, de origem moral. Até quando vamos assistir impotentes a crianças, mulheres, idosos e jovens serem vítimas da violência doméstica, dos abusos de toda espécie? O Estado existe para proteger a família e não pode ser omisso nessa hora. O imbróglio de fatos que fazem do caso Bruno é um dos mais tristes que já se tem notícia, da criança sem pai, que teve a oportunidade de ascensão social, e que apostou na impunidade para dar vazão a um comportamento psicopata, de proporções medonhas. Tudo isso nos faz pensar que mais do que dinheiro e poder de manipular pessoas, temos que refortalecer valores que levem as pessoas à responsabilidade, à solidariedade e à valorização da vida. E somente iremos conseguir reencontrar a coesão social se formos capazes de trabalhar pelo fortalecimento da família, como única forma de conter com perenidade a violência. (*) É doutor em Sociologia.