Opinião
Ainda sobre a mis�ria
Vem de Londres mais uma boa notícia para esperançosa batalha brasileira pela erradicação da miséria. Pelas contas do The Oxford Poverty and Human Development Initiative (Ophi), o número de miseráveis no Brasil é menor que o suposto pelo nosso Ipea. Como sabemos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada divulgou recentemente um detalhado estudo sobre a realidade e as perspectivas das camadas de miseráveis na população brasileira. As contas do Ipea identificam 28,8% dos brasileiros atolados na pobreza absoluta, embora preveja que esse índice venha a ser ?zerado? nos idos de 2016. Pois a contabilidade do britânico Ophi é radicalmente distinta da dos pesquisadores tupiniquins e cravam em apenas 8,5% o número de miseráveis no Brasil. Informa o instituto inglês que ?a avaliação leva em conta o acesso da população a dez itens relacionados à saúde, à educação e ao padrão de vida?. Por essa pesquisa, a Índia conta com 645 milhões de viventes nos andares abaixo da linha da pobreza, o que significa 55,4% de sua população. Com 92,7% de seu povo aguilhoado à pura miséria, Níger aparece como o país mais pobre do mundo. Já as menores proporções de pobres absolutos aparecem na ?Eslováquia e Eslovênia (próximo a 0%), República Checa (0,01%), Belarus (0,02%) e Letônia (0,3%)?. A badalada China, nessa contabilidade, aparece com 12,5%. Parece confuso, não é? É mesmo, pois não devemos nos esquecer que esses índices tratam do fundo do poço e não de um ideal médio de riqueza. Por sua vez, o Bird (Banco Mundial) enxerga ainda menos miseráveis no Brasil (5%). Nós, infelizmente, temos a impressão de ver mais miseráveis nas proximidades. Mas o mais importante é apostar que esses centros de pesquisa, aqui e alhures, estejam certos para o futuro imediato. Oxalá os brasileiros consigam, o mais rápido possível, 0% de miséria.