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Opinião

Apelo ao debate

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Chegando a São Paulo na segunda-feira de manhã cedo já enfrentei um engarrafamento monstruoso de uma hora e meia de Guarulhos até o Morumbi, onde fica o Hospital Albert Einstein, aonde vim com o físico Joaquim Ferro, passar toda esta semana fazendo o treinamento de adequação ao novo sistema de planejamento tridimensional Eclipse, adquirido pela Santa Casa de Maceió à Varian e que está em funcionamento no Einstein. Este novo sistema vem substituir o sistema Cadplan, também tridimensional para fazer radioterapia conformacional,método aprimorado de tratamento do câncer com o qual trabalhamos há sete anos.O Eclipse é extremamente avançado e complexo e temos passado o dia inteiro com os instrutores nos computadores e quando saímos já de noite a cabeça está cansada, mas são avanços imensos na luta contra o câncer que a nossa instituição está incorporando com muito esforço. O Hospital Einstein também é filantrópico, mas ao contrário da Santa Casa de Maceió, que é responsável pelo maior volume de internamentos do SUS em Alagoas, não tem um único paciente usuário do SUS em sua imensa estrutura. Ao contrário do Incor, que ontem divulgou uma nota na mídia onde informa que a maior causa disparada de cirurgias pelo SUS foram as curetagens após aborto, o que levou a jornalista Eliane Catanhede da Folha de São Paulo a conclamar que os candidatos a presidente precisam debater este tema ? que segundo ela conta com a simpatia de Serra e Dilma -- mas que é tabu diante dos eleitores conservadores e menos informados. Por falar em debate, também na mídia vem a informação para todo o País (do que nós tanto sabemos e lamentamos ) que Alagoas tem o maior número de miseráveis, 33% da população e o menor está em Santa Catarina, apenas 2.8%. Esta chaga aberta e sangrante, a maior pobreza concentrada em nossa terra se não é a principal preocupação para todos nós, qual será então? Então porque este tema não passa a ser o carro chefe da campanha que se aproxima? Porque não será o principal tema para o debate entre os candidatos majoritários? Porque não se perguntar o que fizeram para reduzir esta perversa condição quando tiveram alguma condição de interferir para atenuá-la ou reduzi-la e o que não foi feito e porque não foi feito? Ninguém convencerá os alagoanos que isto é uma praga dos céus, mas sim das incapacidades humanas que entre nós tem sido tão poderosas. (*) É médico e professor da Uncisal.

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