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Desafios de educa��o para Alagoas

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Os resultados do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) trazem grandes desafios para o próximo governo: que rumos dar à educação. Este artigo analisa os resultados do Estado à luz dos progressos na região e no País e apresenta sugestões para o vencedor do pleito de outubro. No plano nacional, houve avanço geral nos resultados da 4ª série. A média é de 181 pontos nas redes municipais e 186 nas estaduais. Poucos Estados não melhoraram. O avanço foi de 10 pontos nas redes estaduais e 9 nas municipais. O Ideb respectivo é de 4,9 e 4,4. Na 8ª série, as conquistas foram menores em Língua Portuguesa e inexpressivas em matemática. No ensino médio, quase não houve mudança. No plano regional, os avanços foram desiguais: maiores no Sudeste (MG e SP) e Centrooeste (MS e GO), com o Norte perto da média nacional e o NE e o SUL, abaixo. O Ideb varia de 3,5 nas redes municipais do Nordeste a 5,4 nas redes estaduais do Sudeste. As notas da 4ª série variaram de 156 a 205. O sistema educacional reproduz, ao invés de corrigir, as disparidades. Na 4ª série, o avanço foi geral, com raras exceções. Não existe intervenção em comum que explique a melhoria. Concentramos a análise na Prova de Língua Portuguesa da 4ª série porque avanços no Ideb podem não refletir melhoria de qualidade ? e sim apenas redução de repetência. Para avançar na educação, devemos atingir ao menos 230 pontos nessa prova. Vejamos o que ocorreu em Alagoas: nada. Enquanto o País cresceu mais de 10%, não houve avanços significativos nem nas redes municipais nem na estadual. Alagoas continua com a pior nota (167) entre as redes estaduais do Nordeste. Nas cidades maiores, a rede estadual avançou pouco ou retrocedeu, exceto em Arapiraca, cuja nota subiu 4 pontos, ficando, porém, ainda aquém de 2005. Dentre as redes municipais, Maceió subiu 3 pontos, Penedo regrediu e só Coruripe logrou avanço significativo, resultado de um esforço persistente e consistente feito nos últimos anos. Há razões de sobra para o governo se preocupar. O Estado não avança e aumenta sua distância em relação à região e ao País. Redes de ensino podem e devem ser totalmente municipalizadas, mas a qualidade da educação no Estado continua responsabilidade do governo. Alagoas ainda não implementou as políticas que já começaram a dar os primeiros frutos em outros estados do Nordeste. O primeiro desafio é escolher o que fazer. O segundo é ter coragem de se concentrar em um ou dois problemas mais prementes. Uma das prioridades é assegurar a alfabetização das crianças no 1º ano. Outra seria eliminar a enorme quantidade de projetos ineficazes. Para avançar é preciso tomar decisões tendo em vista o que melhora o desempenho dos alunos e não o que agrada a corporações e burocracias. Felizmente começam a surgir evidências sobre o que funciona. O grande desafio do novo governo é assumir a liderança e os custos políticos de empreender as profundas reformas necessárias para dar uma chance aos alagoanos de amanhã. (*) É presidente do Instituto Alfa e Beto.

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