Opinião
Pela sa�de mental
Muitos municípios alagoanos viveram e vivem uma difícil situação em consequência das fortes chuvas do mês de junho deste ano, o que deixou milhares de pessoas desabrigadas. Muitas ajudas chegaram de várias partes do Brasil e até de outros países. São remessas em dinheiro, em alimentos, peças de vestimentas e utensílios domésticos, além da ajuda de bombeiros, engenheiros, enfermeiros e médicos que se mobilizaram e se mobilizam em equipes para juntos prestarem seus serviços em prol da mínima recuperação de nossos irmãos desabrigados. Antes de mais nada, cuidar da vida significa socorrer necessidades imediatas: alimentar o sistema digestivo e tentar um abrigo adequado para as criaturas, neste inverno que está em curso. Contudo, uma outra questão talvez não venha recebendo a mesma atenção, apesar de já haver algumas iniciativas neste sentido. Refiro-me à assistência psicológica a essas pessoas. São tantas as necessidades em uma situação como essa, que as autoridades e os profissionais da área de psicologia devem estar atentos a esse aspecto da saúde. Lidamos com pessoas que perderam familiares, casas, pertences e até projetos de vida. São cidades viradas de ponta-cabeça cujos novos dias não podem ser comparados ao cotidiano a que estavam acostumados. Com tudo isso, é natural que após a vivência de uma catástrofe desse nível, muitas pessoas possam desenvolver doenças e apesar de não ser um especialista, não é difícil de imaginar a possibilidade de desenvolvimento de transtornos pós-traumáticos nos sobreviventes dessas enchentes. Um estudo realizado com crianças de 7 a 14 anos que vivenciaram enchentes anteriores mostra a importância de intervenção especializada a essas crianças; acrescente-se necessidades iguais em adultos e idosos com vivências desse tipo. Imaginem o medo, pavor, traumas violentos por aqueles que viram suas casas caírem, buracos abrindo em suas frentes, corpos arrastados pelas águas, pais desaparecidos. São lesões psicológicas que atormentam os dias e as noites insones. Levando em consideração que tais efeitos vão se manifestar de forma diferente em indivíduos com características diferentes, estudos anteriores demonstraram altos índices de sintomas de depressão e estresses agudos, aconselhando tratamentos especializados para essas criaturas. Como cidadão alagoano sensibilizado com a situação, deixo aqui registrado a importância desse tipo de assistência, por parte de faculdades alagoanas de Psicologia, por meio de seus professores e alunos, assim como o envolvimento do Conselho da área, mãos amigas que possam contribuir com a execução de projetos de ajuda a esses nossos irmãos necessitados. (*) É médico e ex-secretário de Saúde e Educação.