Opinião
Pais, paz, Pa�s
Duas histórias extremas de pais, falta de paz em nosso País, figuram nas manchetes nestes dias: uma do jovem com futuro promissor, abandonado por uma mãe drogada e por um pai fichado na polícia 7 vezes, não teve uma família que toda criança precisa, com limites, diálogo e respeito. Esse pai, que cresceu sem pai, agora é acusado deixar seu próprio filho órfão. O outro caso é do pai do adolescente, que chora ao recordar que seu filho foi atingido por uma bala em plena sala de aula, segurando o lápis preto, e acabando com o sonho do jovenzinho, um futuro promissor, não com tantas farras e sucesso, mas servindo a sociedade como Bombeiro. ?Eu queria estar na frente dele e receber esta bala? ? desabafou este pai órfão. Entre amor e desleixo, entre repreensão e mimos sem limites, entre dar a vida pelo filho ou lhe tirar parte de sua ? vivem muitos filhos e pais. A recomendação bíblica é pertinente: ?Pais, não tratem os seus filhos de um jeito que faça com que eles fiquem irritados. Pelo contrário, vocês devem criá-los com a disciplina e os ensinamentos cristãos? (Efésios 6.4). Pais sem coração de pai, indisciplinados, são espelhos para a geração seguinte, a qual leva seu nome e valores. O psicanalista francês Charles Melman já alertou: ?A instituição familiar está desaparecendo e as conseqüências são imprevisíveis?. O que se desconhece é que, segundo Melman, devido o declínio do referencial masculino na família, os jovens têm dificuldades para estabelecer um ideal de vida. Um assunto abordado também pelo psicanalista brasileiro Rubens de Aguiar Maciel, ao afirmar que há descaso e desconhecimento científico sobre o tema ?paternidade?. Sustenta que o pai é figura fundamental na estruturação da personalidade da criança, do lado emocional dela. Conclui que a falta do pai sempre é prejudicial, pela função que tem de estabelecer limites à criança, passar a noção de ela não é o centro do Universo. Na ausência do modelo paternal, afirma que isto ?pode trazer uma série de fantasias e consequências, mais ou menos sérias, dependendo do convívio da criança com outras figuras masculinas?. Quando o pai deixa de ser boa referência, fica difícil compreender as palavras do salmista: ?como um pai trata com bondade os seus filhos, assim o Senhor é bondoso para os que o temem? (Salmo 103.13) ? para muitos filhos resta uma única certeza: ?ainda que meu pai e minha mãe me abandonem, o Senhor cuidará de mim? (Salmo 27.10). E quando nem se tem o Senhor? Parece que cada vez mais ?pais devoram seus filhos e filhos seus pais? (Ezequiel 5.10) e nem se dão conta disso. Uma boa história de pai é daquele que traz paz, e que de fato deu seu sangue para filhos e de pais de filhos desde país e todas as nações (Mateus 5.48). Mas esta manchete ou não dá ibope, ou está deturpada. (*) É teólogo e pastor da Igreja Luterana de Maceió.