Polícia
PF fecha cerco contra crime de pedofilia
Quem se esconde atrás de um computador para praticar a pedofilia pode ter a residência invadida por agentes da Polícia Federal (PF) a qualquer momento. A perversão pela internet já não fica impune, escondida no mundo virtual. É identificada sem dificuldade e dá cadeia. Como aconteceu com um engenheiro alagoano, preso dentro de casa, no bairro do Feitosa, com mais de 20 gigabytes (GB) de pornografia, incluindo fotos e cenas de sexo com crianças inocentes, tapeadas por criminosos que as faziam interagir até com animais. O engenheiro Hunilton Lima de Menezes, de 32 anos ? solto na última sexta-feira através de habeas-corpus ? foi um dos vinte brasileiros presos pela PF, no último dia 27, numa investigação iniciada na Alemanha, que se espalhou por vários países do mundo através da Interpol. No Brasil, a PF escalou cerca de 400 agentes na Operação Tapete Persa para cumprir 81 mandados de busca e apreensão em nove Estados e no Distrito Federal. Em Alagoas, o trabalho foi coordenado pelo delegado Políbio Brandão, chefe da Delegacia de Segurança Institucional, que investiga crimes de pedofilia, ódio e racismo pela internet. ?Como a rede virtual é um ambiente sem fronteiras, você também tem a certeza que ninguém está escondido, mesmo que esteja dentro de casa, no seu quintal?, afirma, frisando que o ambiente cibernético deixa rastros. Lan house é ambiente propício à prática do crime A investigação da Polícia Federal descobriu que muitos vídeos são produzidos em países do Leste Europeu e comercializados em troca de dinheiro ou de outros vídeos, através de redes internacionais de pedofilia que atuam no mundo inteiro. Também se caracteriza o crime de formação de quadrilha. O nome da Operação Tapete Persa faz alusão a um dos vídeos compartilhados pelos pedófilos, em que aparecem imagens de uma criança de 5 anos sendo abusada sexualmente. Ao fundo há um tapete persa. O submundo obscuro de algumas lan houses pode ser um ambiente propício para crimes virtuais. Principalmente quando não há controle da identidade dos usuários ou do conteúdo acessado. Em Alagoas, uma lei estadual foi criada determinando que os estabelecimentos façam um cadastro com o nome completo, documentação, endereço, o horário e a máquina utilizada por cada cliente. Pedófilo cria personagem para enganar Mesmo sem o cadastro dos clientes, o empresário Rodrigo Emídio afirma que sempre monitorava o conteúdo acessado pelos usuários de sua lan house, via assistência remota do servidor. ?Às vezes alguns clientes baixam conteúdo pornográfico e a gente envia mensagens para ele fechar aquela página. Já teve até um caso de um homem que não fechou, e eu tive que falar com ele pessoalmente?. O proprietário frisa que o ambiente também é frequentado por crianças e ele zela pela organização e tranquilidade do recinto. O comerciante Laudivan Alves frequenta a lan house com o filho e elogia os cuidados de Rodrigo com a clientela. ?A gente sempre explica para os filhos que os computadores têm muita coisa errada que eles não podem fazer. É preciso ter controle em casa e na lan house também. A rede é um perigo?, ensina o pai. Acusados aparecem em material | DA REDAÇÃO - Com Folhapress A maior operação realizada no País contra pedofilia na internet revelou um dado ainda mais assustador: ao analisar o conteúdo de todo o material apreendido, policiais federais descobriram que, em muitas das fotos e vídeos arquivados nos computadores dos suspeitos, eles próprios apareciam em cenas abusando de crianças. As imagens são muito chocantes. Em uma delas, um homem mantinha relações com um bebê de seis meses. Para chegar aos suspeitos, a Justiça autorizou o cumprimento de 81 mandados de busca e apreensão em dez Estados e no Distrito Federal ? foram 13 presos no Estado de SP, dois no Paraná, dois no DF e um no Rio, no Espírito Santo, Alagoas e Goiás. Todos eram homens. Havia um adolescente no esquema. ?Recolhemos fotos e vídeos que envolvem crianças, em alguns casos bebês. É espantoso?', disse o delegado Stênio Santos Souza.