Polícia
Abusos sexuais contra crian�as assustam
Maragogi ? O belo litoral conferiu fama a Maragogi, segundo maior destino turístico do Estado, mas vem da zona rural, dos lugares mais recônditos, o assunto que está colocando o município balneário no noticiário e nas páginas policiais: o aumento dos casos de abuso e violência sexual contra crianças e adolescentes. Já são 13 ocorrências registradas pelo Conselho Tutelar ? cinco delas ainda sob investigação ?, mais de 15 vítimas e seis inquéritos instaurados pela Polícia Civil. Sete casos estão relacionados a estupros que ocorrem com maior frequência em fazendas, sítios e assentamentos da reforma agrária. O mais cruel é observar que tais atrocidades são cometidas, na maioria das vezes, pelos próprios parentes das vítimas ou por pessoas ligadas a essas famílias. Até uma rede internacional de prostituição infanto-juvenil está sendo investigada em Maragogi. Na quarta-feira da semana passada, três homens com média de idade de 55 anos foram presos, acusados de estuprar as irmãs J.S. de 10 anos, M.S., de 9, e M.S., 7. Zona rural concentra casos de violência Maragogi ? Para o presidente do Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente de Maragogi, Ademar Anastácio, os crimes sexuais contra os pequenos estão ocorrendo, com maior frequencia, na zona rural em razão do aumento populacional destas comunidades. Ele acredita que os núcleos rurais, sobretudo os assentamentos da reforma agrária, tem atraído a presença de moradores de áreas urbanas, muitos em busca de refúgio, fugindo da Justiça. ?As comunidades rurais estão voltando a crescer. Uma das causas para o aumento da violência, em todos os sentidos, é o crescimento populacional que, naturalmente, gera o aumento das ocorrências policiais?, acredita Anastácio. Dos 13 casos de violência sexual registrados pelo conselho, cinco foram cometidos em assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que ficam afastados do centro da cidade. Pessoas se negam a testemunhar A conselheira tutelar Elaine da Silva diz que outra dificuldade é encontrar pessoas dispostas a testemunhar contra indivíduos acusados de crimes sexuais contra crianças e adolescentes. ?As pessoas se negam a comparecer para não prejudicar um amigo, um parente?, completou, lembrando do caso de um sargento da Polícia Militar (PM) aposentado, acusado de estuprar a neta desde os 11 anos de idade. O caso foi registrado no ano passado. Segundo ela, o exame confirmou o estupro, mas o réu ainda não foi julgado e responde ao processo em liberdade. Rede internacional é denunciada, mas polícia descarta Maragogi ? O Disque Denúncia Nacional (DDN) 100 ? instrumento da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República ? vem recebendo denúncias acerca da existência de uma rede internacional de exploração sexual de crianças e adolescentes em Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas. Na última temporada turística, três chamadas foram registradas pelo serviço. O delegado municipal, José Carlos Sales, investigou os casos, mas afirma não ter encontrado indícios da existência de tal esquema de prostituição infanto-juvenil, que também estaria atuando no tráfico de seres humanos ? crianças e adolescentes levados para a Itália e Portugal.