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Presos usaram aparato com aval da SDS

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Acusados de envolvimento na chacina do Benedito Bentes e supostos integrantes de milícias utilizaram o aparato da polícia com autorização da Secretaria de Defesa Social (SDS). Duas viaturas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e o próprio quartel da tropa de elite da Polícia Militar foram cedidos para a gravação de um filme de curta-metragem que incita a violência e tem interesses comerciais. No vídeo de ficção Força Delta 2, um grupo paramilitar ostenta metralhadoras, fuzis, pistolas, coletes à prova de balas e radiocomunicadores. Boa parte das armas e dos equipamentos é da própria PM. Os dois veículos Nissan X-Terra foram plotados com o emblema da milícia ?Força Delta? cobrindo a identificação do Bope. No elenco, há até policiais militares. Alguns, tiveram o cuidado de esconder os rostos com balaclavas. Outros, nem isso. Paulo Rubim confirma autorização O secretário de Defesa Social, Paulo Rubim, autorizou a utilização de viaturas e da estrutura do Bope para as filmagens de Força Delta 2. ?Eles me informaram que gostariam de fazer o filme, alegando que era uma proposta dentro do Movimento pela Paz, o Bope me consultou e eu autorizei. Imaginava-se uma mídia cujo objetivo era incentivar a paz?, afirma Rubim. O secretário informa que foi procurado pelos produtores do filme, há cerca de dois anos, quando o ex-prefeito de Bogotá, Antanas Mokus, atuava como consultor de segurança para o Estado e difundia projetos inovadores de promoção de cidadania e paz. Palestras e projetos foram realizados no Benedito Bentes para incentivar atividades culturais e de cidadania, algumas delas promovidas pelo Movimento pela Paz (Movpaz), fundado pelo capitão Eugênio, e pela empresa do militar, a Propaz. Ministério Público vai investigar milícia O promotor Flávio Gomes aguarda a chegada do material enviado pela Delegacia de Homicídios, inclusive o depoimento de Leonardo da Silva confirmando o uso da estrutura do Bope, para iniciar o procedimento investigativo no MP. ?Que o caso vai ter de ser investigado, vai. Vamos requisitar que seja aberto um Inquérito Policial Militar e uma sindicância na Corregedoria da PM?. Gomes destaca que a investigação deve ter como objetivos descobrir se há policiais participando da montagem da milícia no filme, se utilizaram armas da polícia e se tinham autorização para isso. ?Esses instrumentos, armas, motos, carros, estruturas físicas só podem ser usados pela polícia, e não por pessoas que estão sendo investigadas, incitando a violência. Se houve autorização, quem autorizou? E, principalmente, por quê??, questiona. Para Flávio Gomes, as pessoas que assistem a esse filme podem pensar que os milicianos da Força Delta têm ligação com a polícia. Além disso, ele destaca que as filmagens em si devem ter deixado muitos moradores da comunidade assustados, pensando se tratar de fatos.

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