Polícia
Baldomero se transforma em campo de batalha
A entrada principal do Baldomero Cavalcanti se transformou num campo de batalha, durante toda a manhã de ontem. A Intendência Geral do Sistema Penitenciário (Igesp) fez de tudo para convencer que não havia rebelião, mas não adiantou. A versão oficial era desmascarada a cada bomba de efeito moral que explodia dentro do presídio. Foram ouvidas mais de dez. Do lado de fora, esposas de presos, outros parentes e jornalistas questionavam o que estava acontecendo e eram repelidos com spray de pimenta, balas de borracha e granadas de gás lacrimogêneo. A revanche das mulheres e mães era uma chuva de pedradas contra os homens do Grupo de Ações Penitenciárias (GAP) e policiais da Radiopatrulha (RP), chutes ensandecidos no portão, xingamentos e ameaças. Por mais que se tente negar, a rebelião aconteceu. Dentro e fora do presídio. Houve momentos em que cerca de vinte manifestantes se uniam para sacolejar o portão e, por pouco, não conseguiram derrubá-lo. Algumas se agarravam à cerca de arame farpado e, em meio à fúria, cortavam mãos, braços e pernas. Barricadas tentam impedir a aproximação de jornalistas Os responsáveis pelos presídios tentaram impedir o acesso de jornalistas à entrada do presídio. Fizeram duas barricadas na estrada de barro que dá acesso ao local. Como a via também serve de passagem para conjuntos populares, como o Gama Lins e outros, moradores da área também tiveram problemas para chegar em casa. Ao ver os repórteres barrados, um grupo de quase 50 parentes de presos correu até o local da barricada. O movimento, comparável a uma operação de guerrilha para resgate de presos, surtiu efeito. Apenas três agentes penitenciários que estavam lá ficaram atônitos com a confusão e os jornalistas se aproveitaram da manobra para furar o cerco. Tivemos que entrar correndo para registrar as agressões no portão de acesso ao prédio. ?Jogaram spray de pimenta na minha mãe. Ela já teve um AVC e quase morre de novo hoje?, gritava Márcia da Silva, correndo ao meu lado. ?Estou grávida, já levei pimenta na cara, fui xingada de puta, mas não saio daqui até saber se meu marido está vivo?, contava Michele Nascimento, sentada num tronco de coqueiro, com falta de ar, sendo amparada por colegas que abanavam papéis.