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Vida deve ser vista como um bem coletivo

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Pensar a violência como um problema de saúde pública significa resgatar as possibilidades de valorização da vida como um bem coletivo e não individual. A busca por explicações ou respostas definitivas para o problema angustia todo aquele que se presta a pensar um pouco sobre o assunto a partir de estudos investigativos. Cientistas sociais têm sugerido intervenções e indicado caminhos de superação da crise social que, dentre outras formas, se expressam através da violência. Mas o tema é exigente e, na opinião da professora Ruth Vasconcelos Lopes Ferreira, da Ufal, é bom se distanciar dos discursos fáceis que tentam explicar a violência apenas como reflexo da crise econômica. Doutora em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco, com a tese A Cultura de Violência em Alagoas: um Estudo em Representação Social, Ruth Vasconcelos diz ser evidente que a crise econômica e social, a fome, o desemprego ? todos os fatores estruturais ? contribuem para explicar a gravidade deste momento histórico, mas analisa que são insuficientes. ?Eles não dizem tudo e sempre resultam na tese que ?criminaliza a pobreza?, desconsiderando que os agentes da violência estão em todas as classes e segmentos sociais, independentemente do poder aquisitivo?, expõe. Para ela, os fatores subjetivos são decisivos para explicar a dimensão catastrófica que a violência vem assumindo nos últimos tempos. ?O argumento de que sempre existiram mortes violentas em função de acontecimentos como acidentes de trânsito, homicídios e suicídios não dispensa questionamentos acerca dos fatores que tem contribuído para a curva ascendente desses fenômenos que, na verdade, são sintomas de uma grave crise da subjetividade?, diz. Para uma resposta plausível, a cientista social diz ser preciso examinar os efeitos da atual crise de credibilidade, legitimidade e representatividade das instituições políticas e policiais e, os efeitos da crise de autoridade que atinge a sociedade ? seja porque o Estado tem se mostrado ineficiente na resolução dos problemas sociais, seja porque seus representantes têm sido co-partícipes na produção da própria violência. Banalização da violência Em sua opinião, a banalização da violência expressa, em última instância, o valor que a vida passou a ter neste mundo pós-moderno que desconecta o presente do passado e do futuro, propondo uma vida do ?aqui e agora? que se mostra no imediatismo, na instantaneidade e na efemeridade dos referenciais e valores humanos. A ausência de perspectivas de futuro, a descrença na possibilidade de construção de novas sociabilidades, o sentimento de desamparo e insegurança generalizados são ? na opinião da pesquisadora ? alguns elementos que compõem o universo representacional e subjetivo de gerações de jovens e adultos na atualidade. ?Matar ou morrer parece ter ganho uma dimensão menos grave na medida que é visto como um ato individual e não um problema coletivo?, alerta. ?Estamos diante de um problema social que tem profundas relações com a esfera da subjetividade, que vem sendo constituída no processo de globalização em que o projeto capitalista se impõe hegemônico, apresentando-se como ?o fim da história? e, por isso, é importante refletirmos sobre os efeitos produzidos no universo subjetivo de toda uma geração de crianças, jovens e adultos que vivem um momento histórico onde foi decretado o ?fim das utopias?, considera Ruth Vasconcelos.A sociedade passa por uma profunda crise social e política, com fortes rebatimentos nos valores éticos e morais que constituem as relações humanas. ?Isto se expressa na descrença dos mecanismos de resolução dos conflitos através das instituições políticas e policiais existentes em nossa sociedade?, verifica Ruth Vasconcelos. Para ela, é fundamental que sociedade civil e o Estado percebam a violência como um problema social que expressa uma crise da subjetividade social que não encontrará alternativas apenas a partir de esforços individuais.

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