Polícia
Alagoas � segundo do Nordeste em homic�dios
ANA MÁRCIA Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), interpretados pelo professor Edmilson Veras, doutor em Economia, indicam que a violência resulta da soma entre pobreza, urbanização e impunidade. Segundo o IBGE, o Estado mais violento do País é Roraima, com 57,69 homicídios por 100 mil habitantes (dados de 1999), seguido de Pernambuco, com 55,63 homicídios por 100mil/hab; Rio de Janeiro (52,54); Espírito Santo (51,87); São Paulo (44 homicídios por 100mil/hab). Alagoas é o segundo Estado do Nordeste em número de homicídios por 100 mil habitantes, com uma taxa de 20,42 homicídios e o 15º do País. Segundo Edmilson Veras, há duas vertentes para interpretar a violência: uma delas defende que a pobreza é o principal fator desencadeador e a solução seria investir no social e a outra acha que mais policiamento ostensivo seria a solução. ?No coeficiente de mortalidade por homicídio, esperava-se que maior incidência e o maior número de crimes ocorresse no Nordeste, considerando a sua realidade e a vertente do fator renda, mas o Maranhão apresenta o mais baixo coeficiente: 4,84 e o Piauí, um dos mais pobres do Brasil, também apresenta baixos números (4,86), mas Pernambuco, mais rico, registra 55,6 homicídios por 100 mil/hab?, explica Veras. Na prática, segundo a sua análise, há Estados mais ricos ou mais pobres com elevados índices de violência. ?Acho que pobreza e violência não têm uma relação direta, mas ao se unir pobreza com urbanização crescem as taxas de homicídios e, na análise dos dados frios, São Paulo é uma região de migração de Estados como Maranhão e Piauí, onde se formam favelas, sem oportunidades de trabalho e tendo a impunidade como forma de impulsionar o crime?, diz Edmilson Veras. No Rio de Janeiro, há elevada concentração urbana de uma população pobre e desempregada, mais vulnerável a praticar assaltos e a matar, sempre com a certeza de que não será punida. Desemprego Na sua opinião, a violência se explica pela pobreza, urbanização e impunidade. Em Recife, o desemprego já está na faixa dos 20%, registrando-se uma das mais elevas taxas de homicídio. Pelo raciocínio de Veras, a criança quer ter um daqueles tênis bonitos, mas tem certeza de que trabalhando honestamente na favela não vai conseguir o objeto de desejo. Suas chances são mínimas, ele es espelha no pai e sente isso. É quando entra para o tráfico de drogas e calcula mentalmente quanto vai poder ganhar, mas não conta nunca com a possibilidade de ser preso ou de que irá morrer muito cedo, formando-se dessa forma, as escolas para as quadrilhas de assaltantes e traficantes. Nesse contexto, a solução seria prevenir a violência unindo o policiamento ostenvivo, à disponibilidade de políticas públicas e sociais. A criminalidade é maior entre os jovens do sexo masculino: acima de 15 anos e com menos de 30, que não dispõem de educação, emprego, profissionalização, esporte e lazer. ?Tem aumentado a escolaridade da faixa etária mais baixa, mas após os 15 anos isso não vem ocorrendo?, comenta Edmilson Veras, ao ressaltar que dos 20 aos 24 anos, apenas 26% dos jovens estão na escola. O restante é obrigado a trabalhar, fazer ?bicos? ou ter subempregos para sobreviver.