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Oferta de dinheiro “f�cil” atrai ao crime

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Se nas ruas é possível identificar os ?zumbis? do crack, o mesmo não ocorre com os escalados para transportar a pasta-base de cocaína ou até mesmo a própria droga. As ?mulas? ? como são vulgarmente conhecidos os que se arriscam na ?missão? ?, podem ser qualquer um. Em geral pessoas de vida comum, não usuárias e acima de qualquer suspeita. Somente este mês, em duas situações diferentes, dois alagoanos foram presos, no vizinho Estado de Sergipe. Nas duas situações, traficavam cocaína e acabaram atrás das grades. Seduzidos pelo dinheiro fácil, ajudam a alimentar o vício de quem já não vive sem o efêmero efeito da pedra. Deste modo, hoje, a cada estalo do isqueiro para queimar o crack (noia), alguém assumiu o risco de levá-lo de um lado para o outro. Alagoanos transportam narcóticos Em geral, durante os depoimentos, as ?mulas? tentam despistar os investigadores. Costumam dizer que foi abordada num ambiente de trabalho ou por algum amigo, mas nunca admitem fazer parte da rede principal. Uma outra característica é que tentam dizer que foi a primeira vez que faziam o transporte. ?Mas no caso do caminhoneiro, os 40kg da droga estavam muito bem escondidos, mergulhados no tanque de óleo, acondicionados em tonéis e pendurados na tampa. Isso indica que ele é uma pessoa experiente e pode ter feito essa rota, até Palmares, outras vezes?, acrescentou o delegado da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, Maurício Coelho. A experiência dos federais indica que os transportadores raramente caem na primeira viagem. Por causa do disfarce perfeito de cidadãos comuns, as ?mulas? só são pegas por causa da rotina criminosa. Ou seja, na primeira vez foram bem-sucedidas. O ?sucesso? faz com que voltem a ser escaladas e, mesmo que tenham tentado deixar a atividade, por saberem demais podem ser executadas. Ilícitos são escondidos em locais ousados Outro episódio emblemático envolveu a alagoana de Porto Calvo Selma Maria da Silva Moraes, 25 anos. Na madrugada do dia 11 deste mês, ela foi presa na cidade sergipana de Cristinápolis. Durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR-101, foi localizado um microondas com 5 kg de cocaína enxertados no eletrodoméstico. O entorpecente, de acordo com o depoimento de Selma Maria, seria trazido para a cidade de Arapiraca. A droga havia sido comprada na cidade de São Paulo. Assim que foi ouvida pelo delegado de plantão, ela confirmou que seria a proprietária do entorpecente. Por causa de sua desenvoltura e tranquilidade, a polícia investiga sua ligação com o tráfico e sua atuação como ?mula?. Rota marítima pode ser investigada Para o superintendente da PF Amaro Vieira, essa mudança de estratégia ocorreu por causa do trabalho de investigação. ?Atuamos forte em cima da cocaína e dos produtos para o seu refino. Com o aumento da fiscalização, eles partiram para o aproveitamento da borra (crack)?, explicou Amaro. Ele reconhece que o poder de vício do crack criou um outro perfil de usuário. Alguém mais voraz em ter a droga e disposto a correr qualquer risco para obtê-la. ?E eles contam com a legislação, que afrouxou para o lado de quem consome. Por isso defendo um endurecimento contra os usuários?, reafirmou Amaro. Amaro também é defensor da união e do trabalho em conjunto entre as polícias. Ele avalia que as polícias se complementam e, juntas, podem atenuar a ousadia das ?mulas?.

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