Polícia
Terceiro detento � executado
Mais um detento foi encontrado morto, ontem à tarde, desta vez no Presídio Cyridião Durval, engrossando ainda mais a lista de assassinatos no sistema prisional ? o terceiro desde o último domingo. Jaílson do Nascimento Vasconcelos Junior, mais conhecido como ?Gordinho?, foi encontrado enforcado, na área coletiva do módulo 3 do presídio. O rapaz solteiro, de 22 anos, cumpria pena por roubo desde o dia 9 de março de 2010. Apesar da direção do sistema prisional ainda achar cedo para cogitar a motivação da morte do detento, há fortes chances de o caso ser mesmo o de mais um assassinato. A hipótese para suicídio pode ser descartada pela perícia, já que o detento foi encontrado enforcado por lençois e pendurado numa área coletiva, ou seja, com grande circulação dos outros detentos. Funcionários de prisão são ouvidos | MAURÍCIO GONÇALVES - Repórter Só uma pessoa tinha as chaves de acesso à enfermaria do Presídio Baldomero Cavalcanti, onde dois presos foram mortos no último domingo. A auxiliar de enfermagem, que ainda não teve o nome revelado, não conseguiu convencer a polícia e a intendência do sistema prisional de que está falando a verdade. O cerco também se fecha contra os agentes penitenciários que, no mínimo, poderiam ter evitado as mortes se não tivessem abandonado o local de trabalho. Mais três deles prestaram depoimento, ontem, na Divisão de Investigação e Capturas (Deic), a elite da Polícia Civil alagoana. O movimento de viaturas do Tático Integrado de Grupos de Resgates Especiais (Tigre) e de funcionários da Intendência Geral do Sistema Penitenciário (Igesp) foi intenso, na sede da Deic, ontem pela manhã. O promotor da Vara de Execuções Penais, Cyro Blatter, reuniu-se com o diretor da Deic, Paulo Cerqueira, e acompanhou os depoimentos. Nenhum dos dois deu entrevista sobre o caso. Governo diz que culpados serão punidos Como seria praticamente impossível não escutar o barulho da execução, a delegada da Divisão de Investigação e Capturas (Deic), Ana Luiza Nogueira, aguarda a conclusão dos exames periciais para saber a hora exata das mortes. Esta informação pode ser cruzada com a escala de plantão para saber quais os agentes penitenciários estavam mais próximos da cena do crime. Os agentes alegam que havia um rodízio a cada hora, no período noturno. Mesmo assim, a polícia não considera difícil descobrir quem estava em cada posto na hora do duplo homicídio. ?Há um suporte comprobatório muito grande de que (os homicidas) tiveram o auxílio de outras pessoas. É muito difícil o crime ter sido cometido por uma única pessoa?, frisa a delegada Nogueira. MG Familiares de detentos fazem protesto | PATRÍCIA BASTOS - Repórter Arapiraca ? Namoradas e esposas de reeducandos do presídio de Arapiraca fizeram um protesto, na tarde de ontem, devido à falta de informações após um princípio de rebelião ocorrido no Módulo 2, no final da tarde da última segunda-feira. Elas também denunciaram supostos maus-tratos. Cerca de dez mulheres, que pediram para não ser identificadas, alegaram que foram usadas munições verdadeiras para conter os presos. ?Disseram para mim que meu marido foi baleado, mas até agora ninguém do presídio trouxe informação para a gente de como eles estão. Isso é um absurdo, eles [os agentes penitenciários] usam bala de verdade contra os presos e depois ficam tentando esconder isso de todo mundo?, afirmou a esposa de um reeducando. A companheira de outro disse que, por meio de conhecidos na Unidade de Emergência, ficou sabendo que o namorado havia levado oito tiros.