Polícia
Flavius foi morto por mais de um assassino, garante perito
Após o vacilo que permitiu a fuga do principal suspeito do caso Flavius, a polícia alagoana ainda vai ter que localizar outros foragidos. A perícia técnica do Instituto de Criminalística (IC) realizada no local do crime deixa claro que o assassinato do designer e produtor de moda Flavius Durval Lessa, 47 anos, não foi cometido por apenas uma pessoa. ?Existe a possibilidade de terem sido dois ou até três agressores, mas certamente não foi um só?, enfatiza o perito José Veras. Outra revelação crucial aponta que o ataque contra Flavius não se restringiu ao corte de faca que ele sofreu no pescoço. ?A vítima tinha fortes sinais de estrangulamento, de asfixia. Foi como se alguém tivesse usado um cordão, um fio ou um nylon no pescoço dele?, informou o perito, em entrevista exclusiva por telefone para a Gazeta. Por conta de um erro crasso e mal explicado, o modelo Frederico Safadi prestou depoimento à polícia no sábado (horas após o crime) e foi liberado, mesmo havendo fortes indícios contra ele. Menos de 24 horas após o suspeito número 1 sair pela porta da frente da Central de Polícia, a Justiça determinou a prisão temporária dele. Já era tarde. Safadi não foi localizado em nenhum dos dois endereços que informou, nem no conjunto Salvador Lyra, nem no bairro da Ponta Verde. Produtor teria resistido antes de morrer O carro onde Flavius Lessa foi assassinado foi liberado pelos peritos e devolvido à família que o colocou à venda. O estado em que o veículo foi encontrado revela sinais de luta no painel e nos bancos dianteiros, como a alavanca do limpador de pára-brisa quebrada, manchas de sangue no banco e o boné, provavelmente usado por Flavius, no piso do carona. O perito José Veras também já tinha concluído que o produtor de moda resistiu bastante, possivelmente na tentativa de evitar a própria morte. ?Havia sinais de luta, o painel estava quebrado, ele estava sentado no banco do carona, lateralizado para a direita. Possivelmente alguém estava dirigindo o veículo e tinha mais gente no banco de trás (uma ou duas pessoas)?, frisa Veras. Pelos cálculos iniciais do perito do Instituto de Criminalística, o designer de ambientes morreu por volta das 22 horas. MG Polícia culpa IML e IC por não terem realizado exames | WAGNER MELO - Repórter Quase uma semana depois do assassinato do arquiteto Flavius Lessa, 47, uma pergunta intriga a sociedade alagoana. Por que o principal suspeito, o modelo Frederico Safadi, 22, não foi preso quando esteve na Central de Polícia de Maceió para prestar depoimento, apesar de todas as provas e circunstâncias apontarem ele como principal suspeito? Até o fim da tarde de ontem, ele não tinha sido capturado. Em comunicado à imprensa divulgado ontem, a Polícia Civil culpa o Instituto Médico Legal (IML) Estácio de Lima e o Instituto de Criminalística (IC) pela ausência de provas técnicas que justificassem a prisão temporária do modelo, cujo pedido só foi feito no domingo pela delegada Ana Luíza Nogueira, o que deu ao suspeito tempo para fugir. A Polícia Civil alega que no sábado não havia médico perito no IML para fazer o exame de corpo de delito no acusado. Quanto ao Instituto de Criminalística, a assessoria da PC informa que os técnicos se negaram a realizar o exame para identificar se as manchas na camisa do modelo eram realmente de sangue. Parece que a falta de comunicação, a folga de carnaval e trâmites burocráticos excessivos atrapalharam a ação da polícia.