Polícia
Conv�vio entre Flavius e Fred era dif�cil
A presença incômoda do modelo Frederico Safadi, quase sempre ao lado de Flavius Durval Lessa, afastava as pessoas mais próximas do designer e produtor de moda assassinado na noite de 4 de março. Quanto mais Flavius se aproximava de Safadi, mais o convívio com eles ficava difícil. Amigos e parentes do designer revelam que não confiavam, nem se sentiam bem quando o rapaz de 19 anos estava junto do produtor de 47, o que não era raro nos últimos meses, já que os dois desenvolviam relações profissionais e afetivas. ?Todos que eram mais próximos de Flavius acham o Fred uma pessoa fria, que não demonstra emoção, sempre cabisbaixo, não olhava no olho e não conseguia desenvolver uma conversa. Mas ele era muito observador, tinha uma coisa de monstro mesmo?, informa Judá Macedo, um dos amigos mais próximos do designer, que está instalado na casa da família e se tornou uma espécie de porta-voz e braço direito da mãe e da irmã da vítima, com outra amiga, a designer de bijuterias Loulou Rocha. Adolescente tentou imobilizar designer No depoimento à polícia, o modelo Frederico Safadi declara que Flavius Lessa ameaçou espalhar pela cidade que eles tinham um caso, no intuito de evitar o rompimento. Mas esta versão é considerada absurda por quem conhecia o designer de perto. ?Flavius era uma pessoa muito discreta, é improvável que essa ameaça tenha acontecido porque todos sabem que ele não seria capaz de revelar essa intimidade?, completa Judá. Sobre Gabriel, o adolescente de 16 anos, irmão afetivo de Fred, que participou do assassinato, os amigos afirmam que nem o conheciam. ?Foi uma surpresa, nunca tinha ouvido falar desse garoto?. Para o amigo do designer, nada justifica um crime como este. ?Como é que uma pessoa diz que quer acabar um relacionamento e, para isso, mata a outra??. Advogados elogiam trabalho da polícia Dentro da versão apresentada pelo advogado Paulo Farias, o adolescente irmão de Fred Safadi estaria pensando que a vítima estava imobilizada ou teria desmaiado. ?Quando chegou, meu cliente saiu do carro, abalado, nervoso, e foi dirigindo para a pista principal. Aguardou Fred, eles pegaram um táxi e foram para esta praça onde Gabriel originalmente iria, num local chamado palanque, próximo ao terminal de ônibus do Salvador Lyra. Lá eles ingeriram cerveja e depois foram para casa?, narra Paulo Farias, destacando ainda que o adolescente só veio saber da morte de Flavius no dia seguinte. ?Ele achou que Flavius estava desmaiado, Fred não falou nada sobre assassinato para meu cliente?. As falhas no início das investigações do Caso Flavius fizeram implodir uma crise sem precedentes no aparato de segurança pública. As críticas partem de todos os lados. Menos dos responsáveis pela defesa do principal acusado, o agora réu confesso Frederico Safadi. Os advogados Raimundo Palmeira e Rodrigo Ferro elogiam o trabalho da polícia e alegam que seu cliente não poderia ser preso após o depoimento prestado no sábado da semana passada. Defesa vai pedir avaliação psicológica de Fred Safadi Os advogados de defesa de Fred Safadi pretendem pedir uma avaliação psicológica para saber até que ponto a dependência química pode ter influenciado a atitude do modelo. Fred passou cerca de um ano numa clínica para reabilitação de dependentes em São Paulo e ?saiu da casa do pai, há cerca de seis meses, por causa dos problemas, do desajuste provocado pelas drogas e por problemas de abstinência?, revela Raimundo Palmeira. O psicólogo Orlando Lins trabalha com adolescentes e conhece Fred desde os 14 anos. ?Certamente a dependência química mudou a personalidade dele, não tenho nenhuma dúvida que ele fez isso influenciado pelo uso da droga, até porque ele não tem um perfil violento, foi educado por uma família séria, formado com base em valores morais?, opina Orlando.