Polícia
Irm� e amigo de Flavius Lessa prestam depoimento
As peças do ?quebra-cabeça? que envolve o assassinato do designer Flavius Lessa estão se encaixando. Com a autoria do crime já desvendada e o principal acusado preso ? o modelo Frederico Safadi ?, a Polícia Civil quer saber agora se o crime foi premeditado ou ocorreu como descrito pelo assassino confesso: durante uma briga, no calor da discussão. Para isso, as investigações da delegada Sheila Carvalho Dantas, que ouviu ontem duas das seis testemunhas do caso ? a irmã Mayra Lessa e o amigo íntimo da vítima Judá Macedo ?, estão concentradas em confrontar as versões apresentadas pelo assassino confesso e os depoimento das testemunhas, bem como as evidências das provas técnicas. ?O crime está elucidado. Chegamos ao autor. Mas só isso não é suficiente. Para o inquérito policial ainda há respostas em aberto. Portanto, o trabalho agora vem sendo focado na motivação e execução do crime. Queremos saber como de fato o assassinato ocorreu e qual foi o verdadeiro motivo. Desta forma, poderemos classificar se houve premeditação ou não?, explicou a delegada. ?Como pai, não sairei do lado dele? | MAURÍCIO GONÇALVES - Repórter O período de carnaval deste ano foi marcado por um ranço trágico em Alagoas. A história que culminou com o assassinato de Flavius Durval Lessa chocou todo o Estado e, particularmente, arrasou com a estrutura de duas famílias. Os parentes e amigos do designer e produtor de moda, assassinado aos 47 anos, não se conformam com a brutalidade do crime e sofrem com o vazio da perda. Nenhuma dor pode ser comparada à outra, mas a família do réu confesso Frederico Safadi, de 19 anos, também sucumbiu a um inferno existencial. Até então os parentes do rapaz, que tinha a ambição de ser um famoso modelo internacional, evitavam a imprensa. No último fim de semana, o pai dele, o administrador der empresas Alexandre Safadi Bastos Costa, 41 anos, decidiu romper o silêncio, nesta entrevista exclusiva à Gazeta. Com o apoio dos advogados Raimundo Palmeira e Rodrigo Ferro, concordou em responder às perguntas por e-mail e revelou detalhes da personalidade do filho, em relatos que destacam a luta para livrá-lo das drogas. Além de atuar como administrador, Alexandre Safadi está estudando Direito no Cesmac, onde cursou a disciplina Criminologia com o agora advogado do filho, Raimundo Palmeira. *** Gazeta ? Qual era a grande meta, o sonho do seu filho? Alexandre Safadi ? Os dois grandes sonhos dele sempre foram ser modelo e chef de cozinha. Quais as principais qualidades do Fred? Fred sempre foi muito disponível para os amigos e muito sociável com todos, sem exceção. É carinhoso com a família e sempre foi muito alegre quando não estava usando drogas. E os defeitos? Ele tem dificuldade de ir até o fim com suas ideias e objetivos. Sempre senti o Fred muito fechado com seus problemas. Raramente divide conosco suas dificuldades, principalmente após o envolvimento com as drogas, passando a não lidar bem com a frustração. Ele sofre muito com isso. Como é o perfil dele? Tímido ou extrovertido? Tranquilo ou agitado? Meu filho por vezes procura parecer extrovertido para esconder das pessoas uma timidez e solidão imensas. Mesmo quando extrovertido, oscila com momentos de isolamento sem dividir suas inquietações com a família. Os extremos de comportamento variam do tranquilo ao agitado, do sociável ao extremamente reservado. As drogas prejudicaram o Fred? Até que ponto? Sim, com certeza, drogas só prejudicam. Em todos os pontos possíveis, principalmente nos estudos porque não conseguia manter-se concentrado e no relacionamento com a família, já que passou a não gostar de estar conosco como antes. Fred começou a utilizar drogas aos 14 anos, o álcool. Começou a fazer uso demasiado do álcool e também consumiu ecstasy. Em seguida veio o tabaco, depois a maconha, a cocaína e o crack. Em 2006, após semanas de uso contínuo de cocaína e com muita dificuldade para convencê-lo, procuramos uma clínica para recuperação de dependentes químicos no interior de São Paulo chamada Reviva. Internamo-nos juntos, uma vez que havia a recomendação para que eu estivesse acompanhando todo o processo. Voltamos após um período de tratamento, mas o próprio Fred, após 30 dias em casa, pediu para voltar à Clínica Reviva, onde ficou por mais um ano.