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Circula��o ilegal de armas � discutida

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No calor da repercussão sobre as mortes de 12 adolescentes no Rio de Janeiro, o cidadão pode voltar a ser consultado sobre a proibição da venda de armas no País. É o que pretende o presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-MA). O principal argumento envolve os números da violência e os milhares de casos que refletem a falta de controle dos órgãos policiais sobre as armas que saíram das mãos do cidadãos, mas nunca deixaram a dos bandidos. Segundo a Polícia Federal (PF), responsável pelo registro de armas legais e pelo recebimento das que estão sem registro, o estoque ficou abarrotado. Pouco mais de 2 mil foram recolhidas de 2005 até 2009. Em 2010, 531 foram recebidas a partir da procura do próprio cidadão pelo departamento da PF responsável pelo recolhimento. Mas a própria polícia sabe que o número de armas que está nas ruas supera qualquer estatística oficial. Os registros da Polícia Militar (PM), por exemplo, revelam um aumento progressivo de armas encontradas durante apreensões. Mesmo reconhecendo que o trabalho precisa ser intensificado, o comandante de Policiamento da Capital (CPC), coronel Gilmar Batinga, não vê outra saída se não o aumento do cerco, a fim de desarmar os criminosos. Policiais participam de comércio paralelo A origem de tantas armas em Alagoas é um mistério que aos poucos começa a ser desvendado. O desembargador James Magalhães, em entrevista coletiva sobre uma investigação da Corregedoria do Tribunal de Justiça, admitiu que 140 armas, que figuravam em processos criminais, haviam sido retiradas do depósito do fórum de Arapiraca e comercializadas clandestinamente. Entre os investigados e presos sob a acusação de desviar os armamentos estão dois policiais militares, que repassavam o material para ser comercializado. Diante da constatação, Magalhães foi enfático em afirmar que o episódio envergonhava o Judiciário alagoano e o Estado de Alagoas. Mais do que isso, o caso só demonstra que há uma rede paralela que atua contra os interesses da sociedade. Se de um lado o Estatuto do Desarmamento prevê a regulamentação das armas adquiridas, do outro há um descontrole, até em relação às que deveriam figurar como pertencentes à Justiça. Nova etapa de campanha divide opiniões De acordo com a orientação da legislação, qualquer arma apreendida pela Polícia Militar em operação precisa ser levada para uma delegacia. O mesmo ocorre com o seu portador, que será indiciado por porte ilegal de arma. Caso seja localizada em sua residência, o caso é de posse de arma. Nas duas situações, o procedimento da delegacia segue para a Justiça. A arma, principal prova da acusação, também é encaminhada ao juiz. Somente ele pode, depois do trâmite do processo, autorizar o seu envio para a Polícia Federal (PF). Uma vez em suas dependências, elas são novamente catalogadas e aguardam a liberação para serem encaminhadas ao exército, onde são destruídas em fornos de alta temperatura e compressão. O delegado titular do Departamento de Armas da PF, Antônio Miguel, explicou, porém, que há casos em que durante o processo a arma pode voltar para o seu verdadeiro dono. Isso, entretanto, acontece com aquelas que ainda preservam o número de registro. Traficantes chegam a alugar revólveres A delegada Maria Aparecida afirma que parte das armas usadas em crimes é alugada. ?Tenho um caso aqui onde um adolescente foi comprar uma arma e na hora a polícia chegou. Todos foram presos e a arma foi apreendida. O detalhe é que o dono da arma, depois, mandou um outro jovem ligado ao tráfico cobrar o prejuízo. A mãe teve que pagar R$ 350 para não ver o filho morrer?, revelou Aparecida. Ela se refere ao caso envolvendo o jovem Henrique Alexandre Evaristo, 16, executado no dia 29 de janeiro, mesmo após sua mãe ter acertado o débito com o traficante Alisson das Pratas. Diante deste episódio e do modo como as quadrilhas têm se organizado, Maria Aparecida, acredita que o combate às armas tem de ocorrer na mesma proporção do combate ao tráfico.

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