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Morte de sargento reacende pol�mica

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O excesso de peso da tropa é, há bastante tempo, uma dos principais problemas da Polícia Militar de Alagoas (PMAL). A morte do sargento Milton José do Nascimento, aos 47 anos, no último dia 17, durante a tradicional Corrida de Tiradentes, promovida pela PM alagoana para homenagear seu patrono, provocou uma discussão sobre as condições de saúde física da corporação. O comando e os próprios familiares do sargento morto deixam claro que não há relação entre a fatalidade de sua morte e a obesidade, pois o militar tinha vida ativa, era praticante habitual de corrida. A esmagadora maioria de seus colegas, porém, está acima do peso, beirando a obesidade. O excesso de gordura dos militares não é apenas visível quando estão nas ruas. O sedentarismo da tropa foi comprovado em estudo científico realizado pela própria PM. No ano passado, ao longo de três meses, foram estudados os hábitos de um grupo de militares, com idade entre 21 e 55 anos, praticantes e não praticantes de atividade física. O resultado foi estarrecedor: 70,67% dos avaliados apresentaram excesso de peso corporal. Local de refeição contribui para excesso Outro fato preocupante e indicativo do quadro de obesidade é o local onde os militares fazem refeições. O trabalho revela que eles apontam a comida dos quartéis como causa da obesidade. Nessas unidades, a alimentação é à base de frituras e gorduras. Dos pesquisados, 32% responderam que se alimentam no quartel; 22% em suas residências; e 46% se alimentam no quartel, em casa e outros lugares. ?Em qualquer lugar que estes militares se alimentem, consomem alimentos com alto teor calórico?, diz o relatório. Para o presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas, José Fragoso, o excesso de peso da tropa é provocado pelo excesso de trabalho imposto pelo número insuficiente de militares em relação à demanda de segurança pública. ?Os militares alagoanos quase não estão fazendo atividade física, principalmente no interior. A razão? As escalas de trabalho, que são excessivas, deixam o pessoal sem tempo?, declara. Associação diz que não há regularidade nos exercícios Ao apontar, conforme sua avaliação, a causa do sedentarismo, o presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal), major José Fragoso, reclama que não há regularidade no treinamento da tropa, não apenas quanto às atividades físicas, mas também à prática de tiro. ?Há muito tempo não fazemos exercício de tiro. Isso é ruim?, acrescenta ele, ressaltando que, nestas condições, o militar pode apresentar deficiências em sua atividade. O major Fragoso afirma que o efetivo da PMAL foi se reduzindo, enquanto a demanda policial aumentou com muita velocidade. Para ele, o quadro se tornou ainda mais grave nos últimos cinco anos. ?O militar precisa estar bem preparado. Seu desempenho depende de sua saúde mental, física e intelectual? ? disse José Fragoso. PM alega estimular atividades físicas O comando da Polícia Militar tem estimulado a prática de atividades físicas em todas as unidades, assegura o major Oliveira, da Assessoria de Comunicação da PMAL. Segundo ele, a corporação, de soldado a oficial, pode se exercitar três vezes por semana durante os exercícios realizados no quartel do Comando Geral, no Centro. Há ainda o programa ?PM é Saúde?, realizado todas as quartas-feiras, e os cursos de metodologia em treinamento de educação física, realizado pelo Centro de Formação de Oficial e Praças. Não há obrigatoriedade de participação dos militares nos programas oferecidos pelo comando, exceto para os policiais que estão cumprindo expediente no quartel. Indagado sobre a hipótese de tornar-se obrigatório o exercício físico no índice mínimo recomendado, o major Luiz Santana foi taxativo: não funciona. Segundo ele, a atividade física não pode ser obrigatória pois assim causaria mais danos que benefícios.

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