loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Polícia

Polícia

Inqu�ritos ficam em carro de delegado

Ouvir
Compartilhar

Não é só a greve que imobiliza a Polícia Civil de Alagoas. A letargia anteposta ao frenesi dos bandidos está aquém dos piquetes sindicais. Surge até das entranhas do próprio sistema, com ações intempestivas que provocam reações desenxabidas. Um exemplo tosco está na delegacia do 3º Distrito Policial (DP), que não prende ninguém ou investiga nada há mais de três meses por causa de uma reforma que não tem data para acabar. Inerte, o 3º DP fica no coração da Ponta Grossa e é responsável por uma das regiões mais violentas de Maceió, que inclui Sururu de Capote, Virgem dos Pobres, Dique Estrada, Vergel do Lago e outras cercanias virulentas. A delegacia abre todos os dias, mas é mesmo que nada. A poeira, o barulho, o material de construção e o movimento dos operários impedem qualquer ofício policial. Em meio ao caos, na manhã da última quinta, só restava ao delegado Cícero Rocha e sua equipe assistir ao programa de Ana Maria Braga na TV instalada no local que um dia já foi a recepção. ?Só estou aqui para cumprir meu horário e dar satisfação à sociedade. Está tudo parado desde janeiro?. Sindicato prepara dossiê sobre prédios Os dois policiais que sobraram no 3º Distrito Policial são os únicos livres para fazer investigações e diligências nas ruas. Diz um ditado que quando o gato não está, os ratos fazem a festa. ?Com a deficiência da polícia e até com a greve, é público e notório que o delinquente fica à vontade. A tendência é o índice de criminalidade aumentar quando há ausência do poder público?, adverte o delegado Cícero Rocha. Com 42 anos de carreira na polícia, ele admite que nunca se viu numa situação tão adversa como a que vive hoje. O estado apoplético do 3º DP é apenas um dos tópicos apontados no dossiê que o Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol) prepara para apresentar neste mês de maio. O documento que será encaminhado para órgãos fiscalizadores da Justiça, do Estado e da União aponta que as reformas em mais de dez delegacias de Maceió acontecem de forma atabalhoada, sem critérios e com desperdício de dinheiro público. Reforma esbarra na burocracia, diz PC Para o diretor do Sindicato dos Policiais Civis, José Carlos Fernandes, outro ponto falho é a concepção da Central de Polícia, num único ponto da cidade. ?Transferir o atendimento de vários pontos para colocar num só é o mesmo que tirar vários supermercados espalhados pelos bairros e colocar tudo numa grande Ceasa?, compara. José Carlos ainda lembra que após a decisão de concentrar as três Deplans que ficavam espalhadas pela cidade para a Central, no bairro do Sobral, o governo agora volta atrás e decide criar novas centrais em outros bairros. Samba do crioulo doido ou jogo de puxa e encolhe? Enquanto isso, Maceió é a capital onde mais se mata no Brasil, e Alagoas é o Estado com os piores índices de violência. ?Vamos encaminhar o dossiê completo para o Conselho Nacional de Justiça, Conselho Nacional do Ministério Público, Ministério da Justiça, Organização Internacional do Trabalho e sindicatos do País inteiro?, avisa Fernandes. ?Foram feitos reparos emergenciais? Rebecca Cordeiro admite que alguns distritos passaram por obras em menos de dois anos, mas explica que a primeira intervenção aconteceu em 2009 com verbas de custeio da própria polícia para resolver problemas estruturais urgentes. ?A gente não faz reforma, não tem verba para isso, não tem engenheiro nem arquiteto. Foram feitos alguns reparos emergenciais, como no caso do 22º DP, no qual foram investidos R$ 8 mil, quando foi inaugurado pelo Rubim?. Dois anos depois, a reforma do Serveal deve ter custado bem mais que isso. Quanto às denúncias de superfaturamento, a delegada afirmou que as planilhas de custo podem ser vistas no Serveal. Indagada se a polícia não poderia alugar imóveis para evitar a paralisação dos trabalhos, como acontece no 3º DP, a delegada alegou falta de recursos. ?Não tenho cota para alugar para todo mundo?.

Relacionadas