Polícia
Monitor � suspeito de matar infrator
Um monitor do Núcleo Estadual de Atendimento Sócioeducativo (Neas) é acusado de matar o adolescente Geanderson Cavalcante, 17 anos, dentro da Unidade de Internação Masculina (UIM), com um tiro na cabeça. Este mesmo monitor, cujo nome não foi revelado, também teria ferido o interno Hermerson Felipe, com um disparo na perna, durante a rebelião dos adolescentes infratores na UIM, na madrugada de sábado. O assassinato é o ápice da crise detonada nos abrigos para jovens e adolescentes, que registrou 14 fugas, denúncias de tortura, motins, rebeliões e o afastamento de 25 monitores acusados de espancamentos e maus-tratos. O delegado do 4º Distrito Policial (DP), iniciou as investigações do homicídio ontem e participou de uma inspeção nas instalações da UIM com o juiz da Vara da Infância e da Juventude, Fernando Tourinho Junior, e representantes do Estado. Davino já tomou o depoimento de suspeitos e testemunhas ontem mesmo, mas não quis dar entrevista sob o pretexto de não atrapalhar as investigações. Já o juiz Tourinho relatou haver ?indícios fortíssimos de que o crime foi cometido por um monitor armado, durante a rebelião? e frisou que ?não poderia ter um monitor armado no local porque não é permitido?. Familiares denunciam violência Esposa de um interno, Angélica Patrícia confirma que os adolescentes estão revoltados com a violência dos novos monitores. ?Os antigos realmente espancavam, mas nunca levantaram armas para ninguém. Quem matou o menino foi um monitor, o mesmo que feriu o outro com um tiro na perna. Todo mundo viu, só que ninguém sabia dizer o nome dele porque é um monitor novo. Os meninos estão apavorados, querem que os monitores sejam revistados antes de entrar lá?. A superintendente do Neas, Mônica Sarmento, alega que a decisão de substituir os monitores foi tomada em conjunto com o juiz Fernando Tourinho, a promotora Adriana Gomes, a Defensoria Pública e o secretário Jardel Aderico. Para ela, a exoneração dos antigos é irrevogável. Questionada se a ação ?enérgica? dos novos teria motivado a rebelião, Mônica disse que não poderia informar o motivo da rebelião, mas admitiu que um monitor é suspeito do homicídio. ?Resta saber qual monitor?, completou. |mg