Polícia
Bom Parto e Brejal tamb�m pagam mil�cias particulares
Ter sua ?Milícia da Noite? não é privilégio apenas do Conjunto Virgem dos Pobres. A Vila Brejal e a Cambona também têm seus guardiões da noite. São homens que portam armas e usam bonés pretos. O morador que recebe proteção durante a noite paga cinco reais por semana à milícia que cresce a cada dia nos bairros desprotegidos de Maceió. Zuleide dos Santos é moradora da Rua Sol Nascente, na Cambona, e proprietária da Mercearia Senhor do Bonfim. Zuleide relata que o grupo que vende segurança começou de forma muito discreta, prometendo combater a ação de assaltantes e traficantes. Um homem que se apresenta por Benedito é o pioneiro nesta atividade. Ele passou a comandar alguns grupos e os trabalhos vinham dando resultado. ?As pessoas pagavam no fim de semana, mas o senhor Benedito acabou sendo afastado da função pelos moradores porque deixou que alguns roubos fossem registrados. Não tinha o menor sentido. Pagar a uma guarda particular e ter que aturar os bandidos. Assim que ele foi embora apareceu outro interessado no ramo, que faz um bom trabalho e merece o pagamento que recebe?, explica a comerciante Zuleide dos Santos, que além de pagar pelo serviço tem dois cães pastor alemão para melhor garantir o seu estabelecimento. Muitas famílias residentes na Vila Brejal e Cambona usam os serviços dessa milícia e alegam que ela tem sido a forma de evitar os assaltos. Muita gente cria animais de raça como forma de intimidar a ação de bandidos audaciosos. Falta de policiamento força moradores a pagar seguranças Zuleide dos Santos afirma que a verdade tem que ser dita às 24 horas do dia. ?A população, à margem da sociedade, paga à milícia paralela porque as polícias Militar e Civil não sabem o caminho dos bairros pobres do Estado. Começo a trabalhar às 5h e vou até as 18h e não vejo um carro da polícia circular na Cambona?, relata Zuleide. Ela alerta que, quando ocorre tiroteio entre traficantes é que passa uma viatura mas logo vai embora sem sequer ouvir os apelos das famílias aflitas que lutam pelo direito de segurança pública e não têm a quem recorrer nos momentos de maior necessidade. ?Sou adulta e sei o que falo. Jamais usaria a imprensa para falar mentiras e criar fatos. A prova de que esta Milícia da Noite é uma realidade está nas paredes das casas que pagam pelos serviços. Não estou querendo aparecer na mídia. O espaço está sendo usado com dignidade porque se trata de um absurdo ter de pagar serviço particular?, desabafa Zuleide dos Santos, que vai cobrar uma posição imediata dos órgãos de segurança do Estado no combate à onda de assaltos, roubos, homicídios e tráfico de drogas nas áreas pobres de Maceió. Na Vila Brejal a realidade é a mesma. Muitas casas têm em suas paredes o cartaz que identifica que aquela família paga por segurança particular. Alguns militares ali residentes, cujos nomes não podem ser revelados, afirmam que essa milícia atua há cerca de um ano e que dentro de sua estrutura consegue inibir a ação de marginais. A violência na Vila Brejal registrou cerca de 16 homicídios este ano e dezenas de assaltos a mercadinhos. O tráfico de drogas é grande, segundo o delegado Alcides Andrade, da Delegacia de Repressão às Drogas (DRD).