Polícia
Complexo retoma rotina amparado em rondas policiais
O medo ainda é o companheiro permanente de quem mora no Complexo Habitacional Benedito Bentes. Depois da morte violenta da diarista Maria de Lourdes Farias de Melo, 28 anos, no fim do mês passado, no Conjunto Carminha, a vida na região virou fator de risco. Tráfico e homicídios andam lado a lado com o descaso de anos do poder público. Surgido na gestão da então prefeita Kátia Born, que deu casas a favelados das margens da lagoa, o Carminha cresceu só, sem ajuda do governo. Distante de tudo e de todos, no limite da zona rural que ainda resiste ao tempo, o lugar ganhou feições de periferia com todos os seus problemas: falta de saneamento, de lazer e segurança. Ironicamente, é justamente a polícia, que por anos ficou ausente, que hoje está sendo um ?porto seguro? para quem não tem para onde ir. Mesmo sendo uma relação que se sustenta numa ?areia movediça?, aos poucos os moradores tentam retomar a normalidade, amparados nas rondas policiais diárias. A presença dos militares tem conquistado o apoio de quem se acostumou a ver autoridade nos adolescentes armados, seduzidos pelo tráfico. No Carminha, crime brutal ainda marca moradores Com o passar das horas, o percurso pelo Complexo Benedito Bentes ganhou emoção. Era a hora de a guarnição seguir para o Conjunto 1° de Julho, que fica no limite com o Carminha, alvo principal das buscas. Uma mistura de luz e escuridão aumentava o ar sombrio típico da região. A cada incursão, uma novidade. Em meio à circulação dos militares, um fato chama a atenção: a porta da casa do vigilante José Cícero Ribeiro estava aberta. Eis que surge um homem simpático, com uma xícara de café numa mão e um pedaço de pão na outra. Na casa de alicerce alto, policiais e a reportagem ficaram pequenos. Mas o jeito simples de ?Zé Cícero? logo acalmou o ambiente. Indagado por que estava com a porta aberta, disse sem medo: ?Agora por aqui está uma tranquilidade. Antes era congestionamento de vagabundos fumando e vendendo as coisas deles. Não tinha quem ficasse nas portas. Graças a Deus depois desses homens [policiais] está uma beleza?, falou com voz mansa.