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Assassinato de PM provoca controv�rsia

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Um crime e muitas polêmicas. Os cinco tiros nas costas do subtenente PM José Carlos Roque, 49, também atiçaram um ?ninho de vespas? (para não dizer ?balaio de gatos?) envolvendo Tribunal de Justiça, Polícia Militar, associações militares e Polícia Civil. O assassinato do policial que fazia a vigilância da Escola Superior da Magistratura de Alagoas (Esmal), na última segunda-feira (15), provocou incômodas perguntas e constatações inconvenientes. Antes de tombar, Roque correu quase trinta metros na direção do portão do estacionamento. Se usasse o obrigatório colete à prova de balas, não teria morrido. Então por que ele não usava? Faltam coletes ou alguns policiais não gostam de usá-lo? Além disso, surgem outras perguntas: um suboficial da PM deve trabalhar como vigilante de um prédio? Por que não se contrata empresas de segurança patrimonial e libera os policiais para atuar nas ruas? O homicídio de um PM fardado, no seu posto de trabalho, é ainda mais crítico por causa do local onde ocorreu. Ele devia garantir segurança para juízes e desembargadores que frequentam a Esmal. Em tempos de assassinatos e ameaças de morte a magistrados, a reação do Poder Judiciário foi enérgica, transformando a crise na segurança pública do Estado em saco de pancadas mais uma vez. Dentro deste saco, o Poder Executivo parece não reagir aos golpes. Desde 2010, treze vítimas fardadas foram executadas Segundo a Associação das Praças Militares de Alagoas (Aspra), cerca de 90% dos assassinatos de PMs no Estado ficam impunes. Desde 2010, o número de vítimas fardadas avançou para 13, com a morte do subtenente José Carlos Roque. Este ano, foram três policiais e um integrante do Corpo de Bombeiros. Na maioria das vezes, os militares são mortos por sua atuação contra o crime ou por exercer ?bicos? como segurança por um dinheirinho a mais. No caso do subtenente Roque, há três linhas de investigação, mas todas são baseadas em hipóteses. Até a última sexta-feira, três suspeitos haviam sido detidos e uma testemunha teria identificado um deles como sendo o assassino do subtenente. Os primeiros depoimentos sobre o caso só foram tomados quatro dias após o crime. O chefe de operações da delegacia, Luiz Carlos Albuquerque, até foi à sede da Esmal, na quarta-feira, mas deu azar porque era o dia de folga dos dois policiais que trabalhavam com a vítima, no dia do crime. ?No livro de ocorrências policiais da Esmal, eles relatam que não estavam próximo ao local dos tiros e, quando chegaram, não viram os agressores, só tiveram tempo de tentar socorrer o colega?, explica o chefe. Policiais militares trabalham sem colete A Gazeta voltou ao local do assassinato do subtenente Roque duas vezes esta semana. Nas duas, encontrou policiais na Esmal sem coletes à prova de balas. Mesmo depois de toda encrenca, três militares foram flagrados dispensando a proteção que é obrigatória para o exercício da função. A justificativa de um desses policiais para a falha é tão estúpida quanto imprudente, seria cômica não fosse trágica. ?É porque só tem colete M e não cabe em mim, estou um pouco acima do peso, mas já enviei o informe para mandarem um colete maior para mim, deve chegar daqui a pouco?, disse o simpático (porém constrangido) PM, cujo nome será mantido em sigilo. Ele ainda tenta justificar, usando um argumento que pode ter sido pior. ?Infelizmente só tinha um colete G e a gente deu azar hoje, porque tem dois barrigudinhos na mesma escala de serviço?, afirma o PM, apontando para o colega de farda (ainda mais obeso que ele), usando o tal instrumento de proteção. Criminalidade ronda região e gera tensão Com a comunidade do Bolão aos fundos e o Vale do Reginaldo próximo, escola fica no limite entre o oásis e uma das áreas mais violentas da cidade Após a execução da juíza no Rio de Janeiro, o assassinato do PM na Escola da Magistratura ouriçou os ânimos do Judiciário alagoano. Cogitou-se que o militar fazia a segurança de magistrados e até se pensou em atentado como a escola. Nada a ver, puro exagero. A investigação aponta mesmo para a área perigosa em que está ilhada a sede da Esmal. Com a comunidade do Bolão aos fundos e o Vale do Reginaldo próximo, a escola fica no limite entre o oásis de prosperidade de faculdades, cursinhos, clínicas e colégios, no Farol, e a região periférica de uma das áreas mais violentas da cidade. Pode estar aí a explicação para o assassinato do subtenente. Traficantes ou bandidos que usam a semideserta rua lateral da Esmal como rota de fuga estariam incomodados com a presença ostensiva do PM. Ao mesmo tempo, o policial afugentava frequentadores do local, tidos por ele como ?suspeitos?, ?perturbadores da paz?, ?maloqueiros? ou ?cheira-colas?.

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