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Dois irm�os e um amigo s�o mortos na porta de casa

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Dois dos três adolescentes executados no Conjunto Hélio Vasconcelos, no Cruzeiro do Sul, estavam marcados para morrer por causa de uma briga de galeras. Os irmãos Gabriel da Silva Barros, 14 anos, e Grazieli da Silva Barros, 13, já tinham deixado a escola e mudado de bairro com a mãe por causa de ameaças de morte. A terceira vítima da chacina, Benilton Tavares de Lima, 17, fez amizade com os irmãos há menos de dois meses e conversava com eles na calçada na hora que os atiradores chegaram. Parentes revelam que os irmãos se reuniram com mais quatro adolescentes para brigar com um grupo rival, há cerca de dois meses, na saída da Escola Maria Ivone de Oliveira, no Eustáquio Gomes. O início da confusão se deu dentro da unidade, mas o combate aconteceu no caminho de volta para o Conjunto Denisson Menezes, onde moravam as turmas intrigadas. No confronto, um garoto apanhou demais e ficou desmaiado no chão. Segundo fontes na família e na escola, parentes e amigos deste menino juraram de morte todos os seis que bateram nele. Sem poder sair, mãe ouve morte de filhos Os tiros que mataram dois filhos ainda estouram na cabeça de Janaína Francisca da Silva. Segundos antes, ela ouviu uns sussurros estranhos. O instinto de mãe se acendeu, ela ainda chamou os adolescentes para dentro, abriu a porta de casa e viu os estranhos apontando as pistolas. ?Aí os homens colocaram as armas na minha cara, mandaram eu entrar e fechar a porta. Pensei que era assalto. Obedeci. Quando botei o pé no batente só escutei os pipocos?, relata a mãe de Gabriel e Grazieli, entre lágrimas e soluços, no balcão de atendimento do Instituto Médico Legal (IML). Janaína só não morreu também porque o padrasto dos meninos a segurou. ?Eu queria sair de novo para salvar os meus filhos. Eu daria a minha vida pela deles. Se chegasse do lado de fora, me matariam também?, afirma a mãe, que escutava o tiroteio e via os clarões dos disparos pela fresta da porta, sem conseguir se desvencilhar dos braços do marido. ?Mandaram eles ficarem de costas. Eu gritei: ?meus meninos caíram no chão?. Eles dispararam a arma na cabeça dos três?. Adolescentes são sepultados | NATÁLIA SOUZA* - Estagiária O cortejo até o sepultamento dos irmãos Gabriel da Silva Barros, 14, e Grazieli da Silva Barros, 13, ontem à tarde, no Cemitério São José, no bairro do Trapiche, foi marcado por lágrimas, comoção e lamentações diante da morte trágica dos jovens. Para amigos e parentes das vítimas, o momento parecia um ?pesadelo?, e as horas demoravam uma eternidade para passar. Para Janaína Francisca da Silva, mãe dos adolescentes, cada minuto a mais ao lado dos corpos dos filhos era fundamental. Transtornada e em estado de choque, sob efeito de remédios devido ao acontecimento, Janaína só lamentava não ter conseguido defender os filhos. ?Por que fizeram isso com meus filhos? Eles ?levaram? logo os dois?, repetia a dona de casa, amparada por parentes e amigos. * Sob supervisão da editoria de Cidades

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